quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Biografia do Prof. Dr. Álvaro Guimarães Filho

 



Biografia do Prof. Dr. Álvaro Guimarães Filho

A partir de textos de Henrique A. Paraventi e Hélio Begliomini

 

          Nascido em São Paulo, a 29 de agosto de 1901, Álvaro Guimarães Filho estudou em São Paulo no Colégio São Bento e no Rio de Janeiro no Ginásio Oswaldo Cruz.

          Em 1925, graduou-se pela Faculdade de Medicina de São Paulo. Durante o curso médico foi interno da Segunda Enfermaria de Homens da Santa Casa de São Paulo, na Cátedra de Clínica Médica dirigida por Rubião Meira, onde foi supervisionado por Lemos Torres. Nessa ocasião, essa Segunda Enfermaria de Homens da Santa Casa já chamava a atenção e era um renomado centro de estudos médicos, de modo que daí sairiam vários professores da Escola Paulista de Medicina.

          Durante o sexto ano do curso médico, Álvaro Guimarães Filho foi também interno efetivo da “Assistência Policial de São Paulo”, que é como se chamava o primeiro serviço de pronto socorro da cidade de São Paulo. Foi eleito vice-presidente e depois presidente do “Centro Acadêmico Oswaldo Cruz”. Nessa ocasião, ele chefiava a delegação de universitários médicos paulistas, de modo que levaram ao Primeiro Congresso Interestadual de Medicina o trabalho intitulado “Estudo Clínico do Carcinoma Primitivo do Esôfago”.

          Defendeu sua tese inaugural após sua formatura em 23 de março de 1926 com o título “Higiene Mental e sua importância em nosso meio”. Ainda em 1926 viajou à Europa, de modo que estagiou em Paris na Maternidade Baudelocque e no Hospital Broca, recebendo ensinamentos de Couvelaire e Faure. Em Berlim, fez cursos de aperfeiçoamento com Strassman, Straus e Kristeller. Ainda em Viena frequentou na Universidade a Segunda Enfermaria de Mulheres, sob a orientação de Kermauner.

          Após meses de permanência nesses centros médicos, retornou ao Brasil em 1927, onde foi admitido como assistente voluntário da Clínica Obstétrica da Faculdade de Medicina de São Paulo, sob a chefia de Raul C. Briquet. Ali organizou o serviço de Pré-Natal e a Seção de Urologia Feminina, bem como o Departamento de Radiodiagnóstico Obstétrico. Em 1933 foi alçado à chefia clinica dessa disciplina.

         Suas atividades didáticas começaram em 1931, quando foi nomeado professor de Enfermagem Cirúrgica, na Escola de Obstetrícia e Enfermagem Especializada de São Paulo, anexa à Clínica Obstétrica da Faculdade de Medicina.

          Em 1932, quando do Movimento Constitucionalista, exerceu a função de auxiliar médico da Superintendência dos Serviços Auxiliares de Saúde.

          Em 1933, Paula Souza o encarregou de organizar o Serviço de Higiene Pré-Natal, no Centro de Saúde, do então Instituto de Higiene de São Paulo, primeira organização desse gênero instalada no Brasil. Nesse mesmo ano foi designado como Professor Catedrático da Clínica Obstétrica da recém fundada Escola Paulista de Medicina. Essa designação viria a ser desempenhada na prática alguns anos depois, em 1938.

         Participou como sócio fundador da Associação Paulista de Medicina, onde exerceu a presidência do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia.

         Em 1935, foi laureado pela Academia Nacional de Medicina, juntamente com Lemos Torres e Jairo Ramos, com o prêmio e medalha de ouro “Madame Durocher”, pelo trabalho “Coração na Gravidez”, em que consignaram a conduta aplicada à gestante cardiopata.

         Em suas variadas atividades como professor deu grande realce aos métodos de proteção materna e infantil, preocupando-se com o problema da mortalidade e morbilidade maternas e perinatais. Foi grande cultor da semiologia obstétrica, da fisiologia da parturição e da orientação nutricional da gestante.

         Em 1937, tornou-se o primeiro a atingir a Livre Docência da Clínica Obstétrica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

         Com a criação da Faculdade de Higiene e Saúde Pública da Universidade de São Paulo, foi empossado como Professor Catedrático da Cadeira de Higiene Materna, onde permaneceu até a aposentadoria. Também foi Diretor da mesma faculdade. Integrou o órgão denominado Conselho Universitário de São Paulo. Nessa faculdade orientou variados profissionais de saúde.

          Por muitos anos dirigiu o periódico “Revista de Ginecologia e Obstetrícia de São Paulo”.

          Foi membro do Conselho Superior de Administração da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, por designação do então Cardeal Motta. Foi perito em questões matrimoniais do Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese de São Paulo. Foi um dos organizadores da Pró-Matre Paulista.  

          Por solicitação de Lemos Torres, fundou a “Escola de Enfermeiras de São Paulo” e, juntamente com um grupo de senhoras da sociedade paulista, fundou o Amparo Maternal.

         Com a súbita morte de Lemos Torres em 1942, foi eleito Diretor da Escola Paulista de Medicina. Durante quatorze anos manteve essa atividade em conjunto com seus afazeres docentes e de pesquisa. Participou de bancas examinadoras as mais variadas em todo o Brasil.

          Enquanto foi diretor da EPM ocorreram: a ampliação do prédio da escola e a conclusão do Hospital São Paulo, após árduas lutas e reivindicações junto ao Governo Federal para conseguir solucionar a dívida do Hospital com a Caixa Econômica Federal. Segundo a fonte consultada, em 1 de dezembro de 1949 ocorreu um ato público de doação do Hospital São Paulo à Escola Paulista de Medicina, através da Lei Federal 939, sancionada pelo Presidente da República Marechal Eurico Gaspar Dutra, sendo Ministro da Educação e Cultura o Prof. Dr. Clemente Mariani, tendo havido o apoio para esse intento do Deputado Federal paulista Dr. Horácio Lafer. Ainda sob essa gestão foi construído o pavilhão de Patologia nomeado como Edifício Lemos Torres.

          Em 1966, ao atingir a idade limite, foi jubilado pela Escola Paulista de Medicina. Após isso, continuou á frente da direção do Amparo Maternal, onde foi diretor por 37 anos. Foi incompreendido, caluniado, mas também aplaudido e amado.

          Sua sucessora na direção do Amparo Maternal, irmã Anita, dizia que ele era enérgico, mas bem-humorado, frequentemente dizendo a frase: “Entrei pelos canos e saí canonizado”. Disse ela que ele ajudou inúmeras mães e crianças que compareceram a seu sepultamento e disseram: “perdemos nosso pai”.

          Álvaro Guimarães Filho faleceu em São Paulo em 12 de setembro de 1981, aos 80 anos. Seu nome é dado ao patrono da cadeira 61 da Academia de Medicina de São Paulo. Também é nome de rua em São Paulo na Vila Império e nome de anfiteatro na Escola Paulista de Medicina.

Fontes bibliográficas:

Paraventi, H. A. Álvaro Guimarães Filho in A Escola Paulista de Medicina – Dados Comemorativos de seu 40º Aniversário (1933-1973) e Anotações Recentes. Organizado por José Ribeiro do Valle, 1977, pp. 24-28.

Begliomini, H. Biografia de Álvaro Guimarães Filho. Site da Academia de Medicina de São Paulo. 

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