Do livro “Escola Paulista de Medicina – 60 anos de História –
1933-1993”
Fundada a
escola, vários problemas logo apareceram, exigindo solução rápida. Primeiro,
quais os estudantes que seriam admitidos para constituir a primeira turma:
aproveitar o exame já realizado na antiga faculdade, ou fazer novo exame, abrindo-se
logo inscrição para os candidatos. Foi escolhida a segunda dessas opções e
inscreveram-se 96 candidatos, dos quais 88 foram aprovados e 85
matricularam-se. Os exames foram realizados nas instalações do Liceu Nacional
Rio Branco, cujo diretor, professor Almeida Junior, era um dos fundadores da
nova escola.
Uma vez os
alunos matriculados, alguns problemas surgiram. As atividades da Escola seriam
iniciadas no meio do ano; resolveu-se então que esse problema seria contornado
eliminando-se as férias de fim de ano, de modo que os alunos aprovados
passariam da 1ª para a 2ª série sem interrupção das aulas. Além disso, ocorreu
uma relativa hostilidade com que a Escola Paulista de Medicina foi recebida
pela então Faculdade de Medicina e Cirurgia, hoje Faculdade de Medicina da USP.
Essa hostilidade, pondo de parte o lado social, se traduziu na negativa de
auxílio econômico do Governo do Estado e da recusa da Santa Casa de Misericórdia
de fornecer cadáveres para o estudo de anatomia conforme carta firmada pelo
então diretor clínico da benemérita fundação hospitalar, Dr. Sinésio Rangel
Pestana. Esse impasse foi solucionado. A anatomia teve seu necrotério
apropriado. Os cadáveres da Escola provinham do Hospital de Alienados do
Juqueri, graças a seu eminente diretor, Dr. A. C. Pacheco e Silva, professor de
Psiquiatria; do Hospital de Tuberculosos do Jaçanã e dos Leprosários. Por sua
vez, o Gabinete Médico-Legal (hoje Instituto Médico Legal) enviava corpos de
acidentados mortos e recolhidos pela Assistência Pública. Sem essas valiosas
colaborações a vida da Escola teria sido praticamente inexequível.
E, por fim,
um problema urgente e nada fácil de solucionar: a nova faculdade necessitava
arranjar recursos para a sua instalação e diversas despesas, inclusive
contratação imediata de alguns funcionários indispensáveis.
Resolveram
seus fundadores contribuir financeiramente de modo a constituir um fundo que
atendesse às primeiras necessidades. Em uma reunião realizada a 5 de junho de
1933, propôs Pedro de Alcântara que cada fundador contribuísse com dois contos
de réis, em prestações de 500 mil réis, até perfazer dois contos. Marcos
Lindenberg discordou e propôs que chegassem a 5 contos cada um, de qualquer
maneira. Seria assim: 500 mil réis no ato inicial, 500 mil réis dentro de
trinta dias e o restante a 1 conto de réis por ano, pagável em março de cada
ano, até 1937. Essa proposta foi aprovada.
Outros
problemas urgentes: arranjar local onde a escola pudesse instalar-se
provisoriamente e contratar alguns funcionários indispensáveis para o início das
atividades.
Os próprios
alunos procuraram contribuir e encontraram uma propriedade que estava para ser
alugada e que servia para a instalação inicial, localizada no bairro do
Paraíso, na esquina das ruas Oscar Porto e Abílio Soares.
Foram
contratados logo os seguintes funcionários: Francisco de Assis e Almeida, para
secretário geral; Ida Paulini para os serviços burocráticos; J. Duarte Barbosa,
para tesoureiro; Alfredo Fragoso Pereira para almoxarife.
O professor Octavio
de Carvalho agiu rapidamente. Conseguiu reunir um grupo de professores de alto
nível e contratar o aluguel do imóvel citado, adaptando-o para o início das
aulas. A primeiro de junho era lançado o manifesto de criação da Escola
Paulista de Medicina, já citado anteriormente. Nem todos que assinaram o
manifesto inicial dedicaram-se às atividades didáticas, assim como alguns que
não chegaram a assiná-lo aderiram logo ao grupo formado.
No dia 15 de
julho de 1933... [a continuar na parte 3]
Fonte bibliográfica:
Autores indeterminados in Escola Paulista
de Medicina – 60 anos de História. Do livro com o mesmo título, 1993. Omni
Produções Editoriais. Gráfica Poolprint. 1993, páginas 8-9.
Observação: esses autores preferiram ficar sem identificação
pessoal. Estavam presentes ex-alunos da primeira turma da EPM e outros.
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