domingo, 30 de agosto de 2026

Escola Paulista de Medicina “60 anos de História” - Parte 2 (1993)

 

Do livro “Escola Paulista de Medicina – 60 anos de História – 1933-1993”

         

          Fundada a escola, vários problemas logo apareceram, exigindo solução rápida. Primeiro, quais os estudantes que seriam admitidos para constituir a primeira turma: aproveitar o exame já realizado na antiga faculdade, ou fazer novo exame, abrindo-se logo inscrição para os candidatos. Foi escolhida a segunda dessas opções e inscreveram-se 96 candidatos, dos quais 88 foram aprovados e 85 matricularam-se. Os exames foram realizados nas instalações do Liceu Nacional Rio Branco, cujo diretor, professor Almeida Junior, era um dos fundadores da nova escola.

          Uma vez os alunos matriculados, alguns problemas surgiram. As atividades da Escola seriam iniciadas no meio do ano; resolveu-se então que esse problema seria contornado eliminando-se as férias de fim de ano, de modo que os alunos aprovados passariam da 1ª para a 2ª série sem interrupção das aulas. Além disso, ocorreu uma relativa hostilidade com que a Escola Paulista de Medicina foi recebida pela então Faculdade de Medicina e Cirurgia, hoje Faculdade de Medicina da USP. Essa hostilidade, pondo de parte o lado social, se traduziu na negativa de auxílio econômico do Governo do Estado e da recusa da Santa Casa de Misericórdia de fornecer cadáveres para o estudo de anatomia conforme carta firmada pelo então diretor clínico da benemérita fundação hospitalar, Dr. Sinésio Rangel Pestana. Esse impasse foi solucionado. A anatomia teve seu necrotério apropriado. Os cadáveres da Escola provinham do Hospital de Alienados do Juqueri, graças a seu eminente diretor, Dr. A. C. Pacheco e Silva, professor de Psiquiatria; do Hospital de Tuberculosos do Jaçanã e dos Leprosários. Por sua vez, o Gabinete Médico-Legal (hoje Instituto Médico Legal) enviava corpos de acidentados mortos e recolhidos pela Assistência Pública. Sem essas valiosas colaborações a vida da Escola teria sido praticamente inexequível.

          E, por fim, um problema urgente e nada fácil de solucionar: a nova faculdade necessitava arranjar recursos para a sua instalação e diversas despesas, inclusive contratação imediata de alguns funcionários indispensáveis.

          Resolveram seus fundadores contribuir financeiramente de modo a constituir um fundo que atendesse às primeiras necessidades. Em uma reunião realizada a 5 de junho de 1933, propôs Pedro de Alcântara que cada fundador contribuísse com dois contos de réis, em prestações de 500 mil réis, até perfazer dois contos. Marcos Lindenberg discordou e propôs que chegassem a 5 contos cada um, de qualquer maneira. Seria assim: 500 mil réis no ato inicial, 500 mil réis dentro de trinta dias e o restante a 1 conto de réis por ano, pagável em março de cada ano, até 1937. Essa proposta foi aprovada.

          Outros problemas urgentes: arranjar local onde a escola pudesse instalar-se provisoriamente e contratar alguns funcionários indispensáveis para o início das atividades.

          Os próprios alunos procuraram contribuir e encontraram uma propriedade que estava para ser alugada e que servia para a instalação inicial, localizada no bairro do Paraíso, na esquina das ruas Oscar Porto e Abílio Soares.

          Foram contratados logo os seguintes funcionários: Francisco de Assis e Almeida, para secretário geral; Ida Paulini para os serviços burocráticos; J. Duarte Barbosa, para tesoureiro; Alfredo Fragoso Pereira para almoxarife.

          O professor Octavio de Carvalho agiu rapidamente. Conseguiu reunir um grupo de professores de alto nível e contratar o aluguel do imóvel citado, adaptando-o para o início das aulas. A primeiro de junho era lançado o manifesto de criação da Escola Paulista de Medicina, já citado anteriormente. Nem todos que assinaram o manifesto inicial dedicaram-se às atividades didáticas, assim como alguns que não chegaram a assiná-lo aderiram logo ao grupo formado.

          No dia 15 de julho de 1933... [a continuar na parte 3]

 

Fonte bibliográfica:

Autores indeterminados in Escola Paulista de Medicina – 60 anos de História. Do livro com o mesmo título, 1993. Omni Produções Editoriais. Gráfica Poolprint. 1993, páginas 8-9.

Observação: esses autores preferiram ficar sem identificação pessoal. Estavam presentes ex-alunos da primeira turma da EPM e outros.

 

  

Nenhum comentário:

Postar um comentário