Na postagem
anterior mencionamos cinco artigos de jornais paulistanos dos anos 1930, que
apresentaram várias etapas da elaboração do Hospital São Paulo. A bibliografia
mencionada foi utilizada porque esse hospital foi e é o lugar fundamental de
estabelecimento da Residência Médica na Escola Paulista de Medicina. Vamos
continuar com informes de jornais da época.
No dia 11 de
fevereiro de 1936, o jornal O Estado de São Paulo continuou noticiando a
campanha pela construção do Hospital São Paulo.
Pró-Hospital São Paulo
A organização do movimento no interior do Estado
De todos os pontos por onde têm passado as caravanas que
estão fazendo a propaganda da construção do Hospital São Paulo, chegam
diariamente notícias animadoras sobre o bom acolhimento que lhes têm sido
dispensado pelas populações e autoridades das várias cidades e ao mesmo tempo relatando
como tem sido organizado o trabalho nesses lugares.
Em Porto Feliz a caravana foi recebida com muita simpatia,
tendo o prefeito local demonstrado a maior boa vontade, facilitando todos os
seus passos. Ficou encarregado de organizar as comissões o sr. Dr. Antonio
Pires de Almeida.
Em Tietê, onde igualmente foi muito bem recebida a caravana,
ficou encarregado de constituir as comissões o Dr. Ibrahim C. Madeira, prefeito
local. O jornal “O Democrata”, ali publicado, tomou a si a tarefa de fazer a
propaganda do movimento.
Já diversas câmaras municipais têm respondido ao apelo que
lhes dirigiu o sr. Diretor do Departamento das Municipalidades, corroborado por
vários deputados, algumas atendendo de maneira positiva a sugestão de aplicar
uma determinada quota do seu orçamento, outras prometendo categoricamente fazê-lo
oportunamente. Dessa forma, vai avultando a cada momento o total de contribuições
provenientes diretamente das prefeituras, o que faz prever que será considerável
o movimento geral que se espera por esse lado.
Amanhã partirão desta capital, em visita a zonas ainda não
percorridas, as seguintes caravanas:
Caravana n.1 – chefiada pelo Dr. Edgard Barroso do Amaral,
acompanhado dos estudantes Joaquim Pereira de Araujo, Jorge Arida e Salim
Arida, em visita a Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Lorena, Cachoeira, Cruzeiro
e Queluz.
Caravana n.4 – chefiada pelo Dr. Antonio Prudente, visitando
Santo Grande, Assis, Paraguaçu, Presidente Prudente, Santo Anastácio.
Estudantes que completarão a caravana: Georges Aric e Carlos Foz.
Em 14 de
fevereiro de 1936, o jornal O Estado de São Paulo, publicou a notícia
encabeçada pelo nome da cidade de Rio Claro:
Pró-Hospital São Paulo
Em propaganda do empreendimento em que está empenhada a
Escola Paulista de Medicina, a construção do Hospital São Paulo, estiveram na
cidade os srs. Dr. André Dreyfus e os acadêmicos Favorino R. Prado Junior e
Isaac Ernesto Prujanski.
Em reunião com o sr. Prefeito municipal ao qual expuseram os
motivos de sua vinda a Rio Claro, os membros da caravana aqui deixaram já
organizadas as seguintes comissões:
Comissão Diretora – Dr. Antonio Carlos Pereira da Costa,
presidente de honra; Humberto Cartolano, presidente; Dr. Francisco Penteado
Junior, 1º vice-presidente; Dr. Vicente Ferraz Pacheco; Dr. Alfredo Fontes, 1º
secretário; Dr. Ruy Ladislau, 2º secretário; Cintra de Pinheiro, 1º tesoureiro;
Thomaz Macha, 2º tesoureiro.
Comissão de Honra – Sra. Condessa de Prates, sra. Humberto
Cartolano, sra. Dr. Antonio Carlos Pereira da Costa, sra. Dr. Francisco
Penteado Junior, sra. Dr. Cintra Leite, sra. Cintra de Pinheiro, sra. Celso do
Valle, sra. Dr. Ruy Ladislau; sra. Waldomiro Guerra Correia, senhorita Cecy
David e srs. Dr. Júlio Soares Caiuby, monsenhor Francisco Botti, Dr. Raul
Cintra Leite, Dr. Nelson da Veiga, professor Valdomiro Guerra, Guilherme
Prates, Dr. Eloy Chaves, Dr. Linneu de Paula Machado, Dr. Baeta Neves, Dr.
Eduardo Dias Coelho, Dr. Vasco da Silva Mello, Dr. José Marciano, Dr. José A.
Lefèvre, Nicolau Scarpa Junior, Francisco Scarpa, Hélio Miranda, Joaquim Alves Penna,
João Timoni, Celso do Valle, Oscar Penteado, Dr. Augusto Schmidt Filho, Dr.
Flávio Santomauro, Alfredo Minervino, João Leme, Francisco Salomão, Carlos
Tolentino Monteiro, Alberico de Barros Fagundes, Ignacio Mesquita Corrêa, Luiz
Picolli, Francisco Leal Lucas, Sylvio Schlitler, Armando Hoeffling, Solon Rego
Barros, [jornais]
“Cidade de Rio Claro” e “Cidade de Rio Claro”[1].
No dia 16 de
fevereiro de 1936, ou seja, dois dias após o artigo anterior, o jornal O
Estado de São Paulo publicou outra notícia sobre esse movimento. Após
fazer uma introdução similar, o jornal passou a dar novas informações:
Em Capivari – Nesta cidade a caravana chefiada pelo Prof. Dr.
José Ignacio Lobo deixou em 8 do corrente o trabalho local completamente
organizado, tendo constituído uma comissão diretora, à qual estará afeito o
desenvolvimento da campanha naquela localidade. Essa comissão ficou assim
composta: Presidente, Dr. André de Toledo Assumpção; vice-presidente, padre
João Lopes de Almeida; 1º secretário, Virgílio Duarte; 2º secretário, João
Emygidio Capassoli; 1º tesoureiro, José de Souza Campos; 2º tesoureiro,
Francisco Antonio Fonseca.
Foi grande o número de pessoas de destaque social que deram a
sua pronta adesão ao movimento, formando assim a comissão de honra, que
prestigiará a campanha local para a obtenção de donativos. Todas as professoras
do grupo escolar local deram igualmente a sua adesão à campanha.
Em Piracicaba – o sr. Dr. Paulo Gorga, tendo como auxiliares
os estudantes Alberto de Mello Balthazar e Felício del Nero, deixou nessa
cidade uma comissão executiva assim constituída: presidente, Pedro de Camargo;
1º secretário, sr. Dr. Caio Leitão; 2º secretário, Carlos Augusto Filho; 1º
tesoureiro, Hildebrando Magalhães; 2º, Mário Brisolla Ferreira.
Os jornais locais, “Jornal de Piracicaba” e “Diário de
Piracicaba” abriram suas colunas à propaganda do Hospital São Paulo.
Em São Pedro – a mesma caravana nomeou em São Pedro, a 11 do
corrente, uma comissão executiva assim formada: Presidente, Samuel Alves Martins;
vice-presidente, Alaudio Ferraz do Amaral; 1º secretário, sr. Dr. Gualberto
Vicente de Paulo Guimarães; 2º secretário, Epaminondas Azevedo Aguiar; 1º
tesoureiro, Felisberto Bottene; 2º tesoureiro, Geraldo Azevedo[2].
O sr. Auro Soares de Andrade pôs à disposição da campanha as
colunas do seu jornal “Nosso Jornal”.
Fontes bibliográficas:
Neves, AC. – História da Residência Médica na Escola Paulista
de Medicina – os primórdios. Editora Companhia Ilimitada, 2016, pp. 76-79.
[1]
Nessa comissão de honra pode ser notado que as mulheres não foram mencionadas
pelos seus nomes, mas pelos nomes de seus cônjuges. A primeira mulher
mencionada foi chamada pelo seu título social e não pelo seu nome. Portanto, essa
era a maneira formal de mencionar essas mulheres, de classe social diferenciada
nos anos 1930. Entre outras questões, isso também demonstra a dificuldade das
primeiras mulheres que estudaram medicina. Se aí mencionadas elas seriam “sra.
Dr”, ou algo equivalente, ou teriam citados os seus próprios nomes? De qualquer
forma, as que foram incluídas nesse texto do jornal eram pessoas que estavam engajadas
na causa pelo Hospital São Paulo.
[2]
Por esses dados pode-se observar o que eram as citadas “comissões”. De modo
geral, eram pessoas das localidades mencionadas, médicos ou não médicos, que se
envolveram na campanha pela construção do Hospital São Paulo.