Nas duas postagens anteriores foram mencionados respectivamente cinco e
três artigos de jornais respectivamente, a respeito das campanhas pela
construção do Hospital São Paulo, com a intenção de construir um grande
hospital que servisse ao público além da Santa Casa de São Paulo, que era então
a única instituição que promovia atendimento geral à população.
Dando continuidade à apresentação dessas
publicações da época, o jornal O Estado de São Paulo, em 19 de fevereiro
de 1936, noticiou sobre a referida campanha na cidade de Sorocaba. Na sua
edição de 29 de fevereiro de 1936, esse mesmo jornal anunciou a campanha no
Clube de Regatas Tietê, na capital, além da Sociedade União Infantil, que
deixou à disposição dos organizadores desse movimento as páginas de sua revista
Amigo dos Animais e o assim designado Anglo-American Club. Nesse
mesmo artigo foi anunciada a caravana para Bragança. Em Atibaia essa mesma
caravana foi chefiada pelo Prof. Dr. Domingos Define, auxiliado pelos
estudantes Vicente Luiz Venosa, João Domingos Correia e Vicente Venosa. O
jornal local também colaborou na campanha.
Em 27 de
março de 1936, o jornal O Estado de São Paulo publicou que, em 23 de
março pregresso, o Prof. Dr. Jairo Ramos visitou as cidades de Espírito Santo
do Pinhal e Itapira, onde foram constituídas comissões do movimento. A caravana
para Assis foi comandada pelo Prof. Dr. Antonio Prudente, tendo a presença dos
acadêmicos Carlos Foz e Georges Ariê. O artigo salienta o trabalho da deputada
Sra. Maria Thereza de Barros Camargo, principalmente em Limeira.
Em 3 de maio
de 1936, foi publicado no jornal O Estado de São Paulo o artigo intitulado “Hospital
São Paulo”, a respeito do Prof. Dr. Octavio de Carvalho, que estimulava ao
início da preparação do terreno para a instalação do então futuro edifício:
Hospital São Paulo
Início das obras
Ninguém,
certamente, se negará a auxiliar uma instituição que oferece ao Estado setecentos
leitos e abrigo para perto de dezesseis mil doentes por ano, sem falar dos serviços
de ambulatórios. Sabendo-se que tal instituição terá à sua frente a Congregação
da Escola Paulista de Medicina, além de pessoas de destaque em nossos meios
sociais, fica explicada a simpatia com que foi recebida a iniciativa pelo povo
de São Paulo.
As suas obras vão ter início
Os srs.
Albuquerque & Longo receberam do Prof. Dr. Octavio de Carvalho, diretor da
Escola Paulista de Medicina, um ofício nos seguintes termos:
“Comunico a vv. Exas. a fineza de mandar proceder desde logo,
o serviço de remoção de terra e preparo do terreno, enquanto as plantas não são
aprovadas pelos poderes competentes. A Escola Paulista de Medicina tem urgência
do primeiro bloco concluído e pronto para a instalação das clínicas do 6º ano em 1938.
Tendo a firma Albuquerque e Longo, em notável recorde, iniciado e concluído o ‘Pavilhão
Samuel Ribeiro’[1]
em 75 dias, não será impossível aos ilustres engenheiros, animados da mesma
energia e decisão, terminar a primeira parte do ‘Hospital São Paulo’ dentro do
prazo de dois anos, atendendo aos compromissos inadiáveis da nova escola e às
necessidades do público. Vendo o projeto em execução, o público se convencerá
da seriedade das nossas intenções, da realização material de um plano, na
aparência utópico, e virá prestar, sem receios nem dúvidas, o concurso material
e moral, na construção do grande hospital. O início imediato das obras e a
conclusão da primeira etapa do plano geral, terá grande repercussão no espírito
público, já fortemente trabalhado pela campanha sem tréguas tecnicamente
organizada pela direção do Hospital São Paulo. Felicito os engenheiros Albuquerque
& Longo por ligarem e perpetuarem os seus nomes ilustres às duas mais
notáveis obras dos tempos que correm – a Catedral e o Hospital São Paulo.
Aproveito a oportunidade para apresentar os protestos da mais alta cordialidade”.
Em 22 de
agosto de 1936 foi publicado artigo no jornal O Estado de São Paulo que
indicou haver coleta de donativos para o Hospital São Paulo na região de Campinas.
Assim também foi feito o registro no mesmo jornal, em 6 de setembro de 1936, a
respeito da campanha na cidade de Limeira. Em 8 de setembro, houve o registro
do movimento em Catanduva. Em 11 de setembro, o mesmo jornal noticiou a
campanha em Bauru. Em 12 de setembro, aconteceu na cidade de Lins. Em 23 de
setembro, na cidade de Bragança.
Em 1 de
outubro de 1936, o jornal O Estado de São Paulo fez publicação a
respeito do acontecido no dia anterior, o famoso discurso de Guilherme de
Almeida, por ocasião do lançamento da primeira estaca do Hospital São Paulo,
que será tema específico da próxima postagem.
Fonte bibliográfica:
Neves, AC. – História da Residência Médica na Escola Paulista
de Medicina – os primórdios. Editora Companhia Ilimitada, 2016, pp. 79-81.
[1]
O Pavilhão Samuel Ribeiro tinha como porta de entrada a atual porta posterior
da área da Anatomia, que sai para o pátio do Hospital onde ficava a assim
chamada Praça Viva.