quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Primórdios do Hospital São Paulo – Parte 3

 

           Nas duas postagens anteriores foram mencionados respectivamente cinco e três artigos de jornais respectivamente, a respeito das campanhas pela construção do Hospital São Paulo, com a intenção de construir um grande hospital que servisse ao público além da Santa Casa de São Paulo, que era então a única instituição que promovia atendimento geral à população.

         Dando continuidade à apresentação dessas publicações da época, o jornal O Estado de São Paulo, em 19 de fevereiro de 1936, noticiou sobre a referida campanha na cidade de Sorocaba. Na sua edição de 29 de fevereiro de 1936, esse mesmo jornal anunciou a campanha no Clube de Regatas Tietê, na capital, além da Sociedade União Infantil, que deixou à disposição dos organizadores desse movimento as páginas de sua revista Amigo dos Animais e o assim designado Anglo-American Club. Nesse mesmo artigo foi anunciada a caravana para Bragança. Em Atibaia essa mesma caravana foi chefiada pelo Prof. Dr. Domingos Define, auxiliado pelos estudantes Vicente Luiz Venosa, João Domingos Correia e Vicente Venosa. O jornal local também colaborou na campanha.

          Em 27 de março de 1936, o jornal O Estado de São Paulo publicou que, em 23 de março pregresso, o Prof. Dr. Jairo Ramos visitou as cidades de Espírito Santo do Pinhal e Itapira, onde foram constituídas comissões do movimento. A caravana para Assis foi comandada pelo Prof. Dr. Antonio Prudente, tendo a presença dos acadêmicos Carlos Foz e Georges Ariê. O artigo salienta o trabalho da deputada Sra. Maria Thereza de Barros Camargo, principalmente em Limeira.

          Em 3 de maio de 1936, foi publicado no jornal O Estado de São Paulo o artigo intitulado “Hospital São Paulo”, a respeito do Prof. Dr. Octavio de Carvalho, que estimulava ao início da preparação do terreno para a instalação do então futuro edifício:

Hospital São Paulo

Início das obras

          Ninguém, certamente, se negará a auxiliar uma instituição que oferece ao Estado setecentos leitos e abrigo para perto de dezesseis mil doentes por ano, sem falar dos serviços de ambulatórios. Sabendo-se que tal instituição terá à sua frente a Congregação da Escola Paulista de Medicina, além de pessoas de destaque em nossos meios sociais, fica explicada a simpatia com que foi recebida a iniciativa pelo povo de São Paulo.

As suas obras vão ter início

          Os srs. Albuquerque & Longo receberam do Prof. Dr. Octavio de Carvalho, diretor da Escola Paulista de Medicina, um ofício nos seguintes termos:

“Comunico a vv. Exas. a fineza de mandar proceder desde logo, o serviço de remoção de terra e preparo do terreno, enquanto as plantas não são aprovadas pelos poderes competentes. A Escola Paulista de Medicina tem urgência do primeiro bloco concluído e pronto para a instalação das clínicas do 6º ano em 1938. Tendo a firma Albuquerque e Longo, em notável recorde, iniciado e concluído o ‘Pavilhão Samuel Ribeiro’[1] em 75 dias, não será impossível aos ilustres engenheiros, animados da mesma energia e decisão, terminar a primeira parte do ‘Hospital São Paulo’ dentro do prazo de dois anos, atendendo aos compromissos inadiáveis da nova escola e às necessidades do público. Vendo o projeto em execução, o público se convencerá da seriedade das nossas intenções, da realização material de um plano, na aparência utópico, e virá prestar, sem receios nem dúvidas, o concurso material e moral, na construção do grande hospital. O início imediato das obras e a conclusão da primeira etapa do plano geral, terá grande repercussão no espírito público, já fortemente trabalhado pela campanha sem tréguas tecnicamente organizada pela direção do Hospital São Paulo. Felicito os engenheiros Albuquerque & Longo por ligarem e perpetuarem os seus nomes ilustres às duas mais notáveis obras dos tempos que correm – a Catedral e o Hospital São Paulo. Aproveito a oportunidade para apresentar os protestos da mais alta cordialidade”.

          Em 22 de agosto de 1936 foi publicado artigo no jornal O Estado de São Paulo que indicou haver coleta de donativos para o Hospital São Paulo na região de Campinas. Assim também foi feito o registro no mesmo jornal, em 6 de setembro de 1936, a respeito da campanha na cidade de Limeira. Em 8 de setembro, houve o registro do movimento em Catanduva. Em 11 de setembro, o mesmo jornal noticiou a campanha em Bauru. Em 12 de setembro, aconteceu na cidade de Lins. Em 23 de setembro, na cidade de Bragança.

          Em 1 de outubro de 1936, o jornal O Estado de São Paulo fez publicação a respeito do acontecido no dia anterior, o famoso discurso de Guilherme de Almeida, por ocasião do lançamento da primeira estaca do Hospital São Paulo, que será tema específico da próxima postagem.

 

Fonte bibliográfica:

Neves, AC. – História da Residência Médica na Escola Paulista de Medicina – os primórdios. Editora Companhia Ilimitada, 2016, pp. 79-81.

 

  

         



[1] O Pavilhão Samuel Ribeiro tinha como porta de entrada a atual porta posterior da área da Anatomia, que sai para o pátio do Hospital onde ficava a assim chamada Praça Viva.