quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Primórdios do Hospital São Paulo – Parte 2

 

          Na postagem anterior mencionamos cinco artigos de jornais paulistanos dos anos 1930, que apresentaram várias etapas da elaboração do Hospital São Paulo. A bibliografia mencionada foi utilizada porque esse hospital foi e é o lugar fundamental de estabelecimento da Residência Médica na Escola Paulista de Medicina. Vamos continuar com informes de jornais da época.

          No dia 11 de fevereiro de 1936, o jornal O Estado de São Paulo continuou noticiando a campanha pela construção do Hospital São Paulo.

Pró-Hospital São Paulo

A organização do movimento no interior do Estado

De todos os pontos por onde têm passado as caravanas que estão fazendo a propaganda da construção do Hospital São Paulo, chegam diariamente notícias animadoras sobre o bom acolhimento que lhes têm sido dispensado pelas populações e autoridades das várias cidades e ao mesmo tempo relatando como tem sido organizado o trabalho nesses lugares.

Em Porto Feliz a caravana foi recebida com muita simpatia, tendo o prefeito local demonstrado a maior boa vontade, facilitando todos os seus passos. Ficou encarregado de organizar as comissões o sr. Dr. Antonio Pires de Almeida.

Em Tietê, onde igualmente foi muito bem recebida a caravana, ficou encarregado de constituir as comissões o Dr. Ibrahim C. Madeira, prefeito local. O jornal “O Democrata”, ali publicado, tomou a si a tarefa de fazer a propaganda do movimento.

Já diversas câmaras municipais têm respondido ao apelo que lhes dirigiu o sr. Diretor do Departamento das Municipalidades, corroborado por vários deputados, algumas atendendo de maneira positiva a sugestão de aplicar uma determinada quota do seu orçamento, outras prometendo categoricamente fazê-lo oportunamente. Dessa forma, vai avultando a cada momento o total de contribuições provenientes diretamente das prefeituras, o que faz prever que será considerável o movimento geral que se espera por esse lado.

Amanhã partirão desta capital, em visita a zonas ainda não percorridas, as seguintes caravanas:

Caravana n.1 – chefiada pelo Dr. Edgard Barroso do Amaral, acompanhado dos estudantes Joaquim Pereira de Araujo, Jorge Arida e Salim Arida, em visita a Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Lorena, Cachoeira, Cruzeiro e Queluz.

Caravana n.4 – chefiada pelo Dr. Antonio Prudente, visitando Santo Grande, Assis, Paraguaçu, Presidente Prudente, Santo Anastácio. Estudantes que completarão a caravana: Georges Aric e Carlos Foz.

          Em 14 de fevereiro de 1936, o jornal O Estado de São Paulo, publicou a notícia encabeçada pelo nome da cidade de Rio Claro:

Pró-Hospital São Paulo

Em propaganda do empreendimento em que está empenhada a Escola Paulista de Medicina, a construção do Hospital São Paulo, estiveram na cidade os srs. Dr. André Dreyfus e os acadêmicos Favorino R. Prado Junior e Isaac Ernesto Prujanski.

Em reunião com o sr. Prefeito municipal ao qual expuseram os motivos de sua vinda a Rio Claro, os membros da caravana aqui deixaram já organizadas as seguintes comissões:

Comissão Diretora – Dr. Antonio Carlos Pereira da Costa, presidente de honra; Humberto Cartolano, presidente; Dr. Francisco Penteado Junior, 1º vice-presidente; Dr. Vicente Ferraz Pacheco; Dr. Alfredo Fontes, 1º secretário; Dr. Ruy Ladislau, 2º secretário; Cintra de Pinheiro, 1º tesoureiro; Thomaz Macha, 2º tesoureiro.

Comissão de Honra – Sra. Condessa de Prates, sra. Humberto Cartolano, sra. Dr. Antonio Carlos Pereira da Costa, sra. Dr. Francisco Penteado Junior, sra. Dr. Cintra Leite, sra. Cintra de Pinheiro, sra. Celso do Valle, sra. Dr. Ruy Ladislau; sra. Waldomiro Guerra Correia, senhorita Cecy David e srs. Dr. Júlio Soares Caiuby, monsenhor Francisco Botti, Dr. Raul Cintra Leite, Dr. Nelson da Veiga, professor Valdomiro Guerra, Guilherme Prates, Dr. Eloy Chaves, Dr. Linneu de Paula Machado, Dr. Baeta Neves, Dr. Eduardo Dias Coelho, Dr. Vasco da Silva Mello, Dr. José Marciano, Dr. José A. Lefèvre, Nicolau Scarpa Junior, Francisco Scarpa, Hélio Miranda, Joaquim Alves Penna, João Timoni, Celso do Valle, Oscar Penteado, Dr. Augusto Schmidt Filho, Dr. Flávio Santomauro, Alfredo Minervino, João Leme, Francisco Salomão, Carlos Tolentino Monteiro, Alberico de Barros Fagundes, Ignacio Mesquita Corrêa, Luiz Picolli, Francisco Leal Lucas, Sylvio Schlitler, Armando Hoeffling, Solon Rego Barros, [jornais] “Cidade de Rio Claro” e “Cidade de Rio Claro”[1].

          No dia 16 de fevereiro de 1936, ou seja, dois dias após o artigo anterior, o jornal O Estado de São Paulo publicou outra notícia sobre esse movimento. Após fazer uma introdução similar, o jornal passou a dar novas informações:

Em Capivari – Nesta cidade a caravana chefiada pelo Prof. Dr. José Ignacio Lobo deixou em 8 do corrente o trabalho local completamente organizado, tendo constituído uma comissão diretora, à qual estará afeito o desenvolvimento da campanha naquela localidade. Essa comissão ficou assim composta: Presidente, Dr. André de Toledo Assumpção; vice-presidente, padre João Lopes de Almeida; 1º secretário, Virgílio Duarte; 2º secretário, João Emygidio Capassoli; 1º tesoureiro, José de Souza Campos; 2º tesoureiro, Francisco Antonio Fonseca.

Foi grande o número de pessoas de destaque social que deram a sua pronta adesão ao movimento, formando assim a comissão de honra, que prestigiará a campanha local para a obtenção de donativos. Todas as professoras do grupo escolar local deram igualmente a sua adesão à campanha.

Em Piracicaba – o sr. Dr. Paulo Gorga, tendo como auxiliares os estudantes Alberto de Mello Balthazar e Felício del Nero, deixou nessa cidade uma comissão executiva assim constituída: presidente, Pedro de Camargo; 1º secretário, sr. Dr. Caio Leitão; 2º secretário, Carlos Augusto Filho; 1º tesoureiro, Hildebrando Magalhães; 2º, Mário Brisolla Ferreira.

Os jornais locais, “Jornal de Piracicaba” e “Diário de Piracicaba” abriram suas colunas à propaganda do Hospital São Paulo.

Em São Pedro – a mesma caravana nomeou em São Pedro, a 11 do corrente, uma comissão executiva assim formada: Presidente, Samuel Alves Martins; vice-presidente, Alaudio Ferraz do Amaral; 1º secretário, sr. Dr. Gualberto Vicente de Paulo Guimarães; 2º secretário, Epaminondas Azevedo Aguiar; 1º tesoureiro, Felisberto Bottene; 2º tesoureiro, Geraldo Azevedo[2].

O sr. Auro Soares de Andrade pôs à disposição da campanha as colunas do seu jornal “Nosso Jornal”.    

Fontes bibliográficas:

Neves, AC. – História da Residência Médica na Escola Paulista de Medicina – os primórdios. Editora Companhia Ilimitada, 2016, pp. 76-79.

 

 



[1] Nessa comissão de honra pode ser notado que as mulheres não foram mencionadas pelos seus nomes, mas pelos nomes de seus cônjuges. A primeira mulher mencionada foi chamada pelo seu título social e não pelo seu nome. Portanto, essa era a maneira formal de mencionar essas mulheres, de classe social diferenciada nos anos 1930. Entre outras questões, isso também demonstra a dificuldade das primeiras mulheres que estudaram medicina. Se aí mencionadas elas seriam “sra. Dr”, ou algo equivalente, ou teriam citados os seus próprios nomes? De qualquer forma, as que foram incluídas nesse texto do jornal eram pessoas que estavam engajadas na causa pelo Hospital São Paulo.

[2] Por esses dados pode-se observar o que eram as citadas “comissões”. De modo geral, eram pessoas das localidades mencionadas, médicos ou não médicos, que se envolveram na campanha pela construção do Hospital São Paulo.

sábado, 12 de setembro de 2026

Primórdios do Hospital São Paulo – Parte 1

       

          O processo de fundação do Hospital São Paulo teve etapas, de modo que também pode ser considerada uma “fundação ampliada”. Em uma primeira etapa a colocação da primeira estaca em 30 de setembro de 1936. Depois, em uma segunda etapa, houve, em 15 de maio de 1937, a fundação do Ambulatório de Oftalmologia, no centro da cidade, provavelmente o primeiro setor a entrar em funcionamento. Em uma terceira fase a fundação do Pavilhão Maria Thereza de Azevedo, em 19 de junho de 1937. Numa quarta etapa, começou o uso efetivo do edifício do hospital, em 4 de outubro de 1940, com seus primeiros cinco andares. Não estamos levando em consideração aqui o uso do Hospital Humberto Primo para aulas de Semiologia, já que se tratava de um outro serviço médico.

          De início, os professores fundadores organizaram todo um movimento em torno da ideia de construir um grande hospital público, ou filantrópico, que pudesse servir a população e o ensino da EPM. Desse modo, mobilizaram a sociedade e os jornais, sendo, por sua vez, eles mesmos engajados nesse movimento com aspectos de “civismo paulista”. Foram diversas as publicações de notícias sobre as mobilizações e atividades realizadas em torno do objetivo de construir um grande hospital na cidade de São Paulo, para atender os menos favorecidos economicamente, que só podiam dispor de serviço gratuito.

          O jornal Correio Paulistano, em 20 de agosto de 1935, publicou a seguinte nota:

Hospital São Paulo

A utilidade irrefutável da “Campanha do Café”, promovida pela Escola Paulista de Medicina, para construção do Hospital São Paulo, merece todos os encômios.

Ela será seguramente bem recebida pela lavoura e pelo povo em geral.

São Paulo, cidade com mais de um milhão de habitantes, tem real necessidade, não de mais um, mas de muito mais hospitais de caridade. Os que temos não bastam para a população pobre.

É bastante dar-se uma vista d’olhos na Santa Casa. Essa benemérita instituição vive numa imensa dificuldade para receber doentes, visto estar o seu hospital superlotado.

As camas, ali, espalham-se por todos os cantos e novos doentes chegam todos os dias em grande número, tendo muitos que ser recusados.

Há ainda outros hospitais que abrigam e tratam gratuitamente os doentes pobres. Mas não chegam.     

Por isso, a iniciativa da Escola Paulista de Medicina é altamente oportuna e muito simpática.

E o povo não deixará de a apoiar.

É de se esperar que dentro em breve a nossa cidade tenha como realidade o grande Hospital São Paulo, e que nossos pobres possam alimentar a certeza de que, numa doença, não lhe faltarão os necessários socorros.

          No texto acima, o que foi chamado de Campanha do Café visava donativos por parte das pessoas do interior do estado de São Paulo, então grande território cafeeiro, já que grande parte dos pacientes que afluíam para a Santa Casa da capital eram provenientes dessa região.

          Em 1 de novembro de 1935, o Correio Paulistano anunciou a realização de baile no dia 9, com a finalidade de beneficiar a construção do Hospital São Paulo. Em 6 de novembro essa notícia foi reforçada com a publicação de centenas de nomes da sociedade paulista que estariam apoiando a iniciativa.

          Em 22 de dezembro de 1935, o jornal Correio Paulistano publicou texto que acentuou a sobrecarga de pacientes na Santa Casa de São Paulo e a necessidade de ampliar vagas em hospitais públicos/filantrópicos:

O problema hospitalar em São Paulo

Já tivemos ocasião de focalizar nestas colunas alguns dos aspectos sob que se apresenta o problema de assistência hospitalar em São Paulo. Mencionamos, por exemplo, a grande proporção de doentes com que concorre o interior do nosso Estado, para serem hospitalizados na Capital e fizemos ver quão suplantada tem sempre ficado a capacidade receptiva dos nossos poucos estabelecimentos hospitalares, cujas possibilidades de atender aos numerosíssimos pedidos, provenientes de todas as localidades, permanecem muito aquém das crescentes necessidades que se apresentam.

Se analisarmos ligeiramente os dados estatísticos apresentados pela Diretoria da Santa Casa de Misericórdia da Capital, veremos que mais da metade dos doentes internados naquele estabelecimento em 1933 procedeu do interior. Cidades como Araçatuba, Marília, Presidente Prudente, Rio Preto, Santos e São Bernardo concorreram para esse total com mais de duzentos doentes cada uma, sendo inúmeras as que enviaram número superior a uma centena. O certo é que todas figuram na relação, umas em maior, outras em menor proporção, mas todas recorrendo aos poucos meios existentes em nossa Capital.

Ora, essa observação nos autoriza a concluir que nada será mais justo do que lançar um apelo aos diversos núcleos que constituem a população do Interior, no sentido de cooperarem, por intermédio dos seus órgãos representativos, que nesse caso seriam as respectivas prefeituras, para que seja levada avante a ideia de se construir um grande hospital em São Paulo, que, de certo modo, pudesse resolver momentaneamente o grave problema que nos assoberba.

Os elementos que estão à testa desse nobre empreendimento, já autorizados para isso, iniciaram a remessa de ofícios aos srs. Prefeitos, sugerindo a aplicação de determinada porcentagem da arrecadação municipal nessa obra.

A evidente oportunidade da ideia e, mais do que tudo, a sua indisfarçável finalidade, asseguram, ao lado da proverbial boa vontade que caracteriza a mentalidade paulista, o mais completo êxito para a iniciativa ora em foco.

          Em sua edição de 12 de janeiro de 1936, o jornal O Estado de São Paulo trouxe o seguinte informe:

Pró-Hospital São Paulo

Ganha terreno a ideia de construção de um grande hospital

Já tivemos ocasião de focalizar nestas colunas alguns dos aspectos sob que se apresenta o problema da assistência hospitalar em São Paulo[1].

Esses aspectos levam-nos a concluir que nada seria mais justo do que lançar um apelo aos diversos núcleos que constituem a população do interior, no sentido de cooperarem, por intermédio de seus órgãos representativos, que nesse caso, seriam as respectivas Prefeituras, para que seja levada adiante a ideia de construir-se um grande hospital em São Paulo, que, de certo, pudesse resolver momentaneamente o grave problema que nos assoberba.

E foi o que se fez. Os elementos que se acham à testa desse nobre empreendimento, já autorizados para isso, remeteram a todos os prefeitos do interior ofícios sugerindo a aplicação de determinada porcentagem da arrecadação municipal em benefício dessa obra.

A evidente oportunidade da ideia e, mais do que isso, os seus fins, fazem antever o mais completo êxito para a obra planejada. Já numerosas respostas têm chegado e continuam a chegar diariamente ao escritório onde se acha instalada a secretaria da Campanha Pró-Hospital São Paulo, revelando o apoio que se esperava das municipalidades paulistas.

É grande a atividade entre os promotores dessa campanha. Aprestam-se os preparativos de organização de várias caravanas que irão cruzar em todos os sentidos o território paulista, a fim de trazer, concretizado em recursos materiais, o apoio do povo paulista para esse grande empreendimento.

          Em 2 de fevereiro de 1936, o jornal O Estado de São Paulo publicou artigo intitulado “Hospital São Paulo”, com uma grande foto do projeto do hospital sobre a qual está escrito: “Com grande animação prossegue a campanha em favor do Hospital São Paulo”. Seguiu-se o seguinte texto:

É grande o interesse que vem despertando o prosseguimento da campanha iniciada em favor da construção do Hospital São Paulo.

Dada a notória deficiência de nossa organização hospitalar, não poderia ser mais oportuna a iniciativa de se dotar a nossa capital de mais um grande hospital, a fim de atender especialmente os indigentes[2], mormente do interior do Estado. Este hospital disporá de cerca de 700 leitos e seu caráter eminentemente popular atrai sobre ele as simpatias de todos os que não desconhecem a grave lacuna existente em nosso meio nesse particular.

Lançada a ideia de se construir o Hospital São Paulo, foi o próprio diretor do Departamento de Municipalidades, sr. Dr. Domício Pacheco e Silva, um dos primeiros a dar a ela sua adesão, recomendando às prefeituras municipais que colaborassem, na medida de suas possibilidades, nessa obra. Ao apelo dessa autoridade não tardaram a ser dadas respostas favoráveis das prefeituras do interior do Estado, dentre as quais se destacam: Presidente Venceslau, Jacupiranga, Botucatu, Monte Alto, Potirendaba, Monte Mor, São Sebastião, Guaratinguetá, Atibaia, Guararema, Jaboticabal, Novo Horizonte, Indaiatuba, São José dos Campos.

No mesmo sentido, foi dirigido pelo sr. Celso Morato Leite um ofício a todos os maquinistas do benefício do algodão em nosso Estado.

Secundando o apelo dirigido pelo Dr. Domício Pacheco e Silva, diversos deputados estaduais dirigiram também ofícios às prefeituras do interior, pondo em relevo a utilidade da iniciativa. Apoiaram às autoridades municipais os seguintes deputados: Dr. Alarico Franco Caiuby, Dr. Benedito Montenegro, coronel Francisco Vieira, Dr. J. A. Souza e Silva, Dr. Elias Machado, Dr. Francisco Mesquita, Dr. J. Pinto Antunes, D. Maria Thereza Barros Camargo, Dr. Motta Filho, Sylvio de Andrade Coutinho, Dr. Thiago Masagão, Dr. Valentim Gentil, sr. Amaral Mello, Dr. Celso Junqueira, Dr. Cory Gomes Amorim, Dr. Dante Delmanto, Leonel Benevides de Rezende, Maciel de Castro, Renato Bucuri Netto, Dr. Toledo Artigas, Dr. Valdomiro Silveira, Dr. Bento Sampaio Vidal.

Atendendo ao apelo que lhes foi feito no sentido de facilitarem o trabalho das caravanas que deveriam percorrer o interior, algumas Companhias de Estradas de Ferro já se manifestaram favoravelmente.

A Partida das Caravanas

Conforme foi noticiado, partiram ontem as primeiras caravanas de professores e estudantes, a fim de pleitearem junto às populações do interior a sua colaboração na obra do Hospital São Paulo.

Ontem – Caravana n. 8 dividida em três etapas: de Campinas a Limeira, tendo como chefe o Prof. Dr. Paulo Mangabeira Albernaz. De Rio Claro a Pirassununga, chefiada pelo Prof. Dr. André Dreyfus. De Palmeiras a Descalvado, cujo chefe é o Prof. Dr. Antonio Bernardes de Oliveira. Fazem parte desta caravana os acadêmicos Favorino Rodrigues do Prado Junior e Isaac Prujansky.

Hoje – Caravana n. 2, em duas etapas: São Roque, Sorocaba, Tatuí, chefiada pelo Prof. Dr. Álvaro Guimarães Filho e Itapetininga, Faxina e Itararé, cujo chefe é o Prof. Dr. José Barbosa Correa. São componentes os acadêmicos Rubens Arantes de Moraes. Francisco Lascala de Moraes e Mário Junqueira Schmidt.

Caravana n.3: cuja primeira etapa compreende as cidades de Itu, Porto Feliz e Tietê, tendo como chefe o Prof. Dr. José Ignacio Lobo; na segunda etapa incluem-se as cidades de Capivari, Piracicaba e São Pedro. Fazem parte os acadêmicos Alberto M. Balthasar e Felício Del Nero.

Seguirá no dia 4 a Caravana n.7 – para Ribeirão Preto, Sertãozinho, Orlândia, São Joaquim, Ituverava, Igarapava, Batatais, Patrocínio, Sapucaí e Franca. Será chefe até São Joaquim o Prof. Dr. Otto Bier e de Ituverava a Franca o Prof. Dr. Felício Cintra do Prado. Os acadêmicos Mário Setzer e Carlos Ary Machado são os componentes desta caravana.

 

Fonte bibliográfica:

Neves, AC. História da Residência Médica na Escola Paulista de Medicina – Os Primórdios. Editora Companhia Ilimitada, 2016, pp. 69-75.



[1] Este texto de O Estado de São Paulo que tem similaridades com o texto do Correio Paulistano pode ter tido o mesmo jornalista como autor, que não assinou o artigo.

[2] O termo “indigente” perdurou até a criação do SUS. Era usado para designar paciente que não tivesse nenhuma afiliação a qualquer organização de saúde, como INAMPS, por exemplo.  

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Escola Paulista de Medicina - 60 anos - parte 3 - 1993 (2026)

 

Do livro “Escola Paulista de Medicina - 60 anos de História – 1933-1993”

“continuação...”

          No dia 15 de julho de 1933 foram iniciadas as atividades, com um discurso do professor Octavio, já escolhido seu primeiro diretor, e uma aula proferida por Antonio Carlos Pacheco e Silva, que seria encarregado do curso de Psiquiatria. Essa aula inaugural, intitulada “Iniciação Médica” terminou com as seguintes palavras:

“Meus senhores, Chateaubriand disse que para cada um de nós há um momento crítico, bem ou mal escolhido, que decide nosso futuro. Para alunos e professores desta Escola o momento crítico é este em que iniciamos nossos cursos. A época é de incertezas, os homens do mundo inteiro têm o sobrecenho carregado e a fronte vincada pelas apreensões do dia de amanhã. Só há um meio de nos furtarmos à avalanche; é o de nos integrarmos ao nosso trabalho imaginando pertencer àquela raça de que nos fala o filósofo da Escola de Alexandria, que, graças à superioridade de suas forças e à acuidade de sua visão, contemplavam o brilho das regiões superiores, procurando elevar-se acima das nuvens e da obscuridade das coisas terrenas, alegres de residir nos domínios da verdade, como os homens que, após longa viagem, entram numa pátria bem governada”.

          Octavio de Carvalho trabalhou intensamente nos primeiros anos. Além de conseguir reunir o grupo de médicos que seriam os primeiros docentes, começou logo a empregar seu prestígio pessoal para conseguir levar à frente a nova instituição. Procurou um local onde a escola pudesse se instalar definitivamente. Entre vários locais que surgiram, foi escolhida a Chácara Schiffini, situada na rua Botucatu, em Vila Clementino, e pertencente ao Dr. Joaquim Penino, que ali instalara um serviço para atendimento de crianças anormais. Foi comprada com dinheiro fornecido pela Caixa Econômica Federal, dirigida pelo Dr. Samuel Ribeiro.

          A senhora Maria Tereza Nogueira de Azevedo havia conseguido levantar na sociedade paulista uma certa quantia que se destinava à construção de um hospital para crianças, o Hospital Piratininga. Essa importância foi doada à Escola Paulista de Medicina e com ela adaptado um edifício existente na chácara adquirida, que passou a se chamar Pavilhão Maria Tereza, nele instalando-se enfermarias de clínica e cirurgia.

          A primeira turma de alunos estava quase chegando à quarta série, quando deveria ter as primeiras aulas práticas de clínica, na Cadeira de Propedêutica Médica, dirigida pelo professor Jairo Ramos. Octavio de Carvalho procurou o conde Francisco Matarazzo (pai) e conseguiu a permissão para usar um pavilhão do Hospital Humberto Primo. Nesse pavilhão, que era bastante espaçoso, foram instaladas cadeiras e mesas para poderem ser ministradas aulas teóricas e, em outra parte colocada meia dúzia de leitos.

          As aulas práticas eram assim ministradas: os assistentes chegavam antes e iam à enfermaria, onde escolhiam casos que servissem à demonstração, levavam os doentes selecionados para o salão e cada um ocupava um leito. Os alunos eram divididos em grupos semelhantes e eram feitas as demonstrações de exame clínico, assunto da referida cadeira. Há um aspecto pitoresco que merece ser contado. Após algum tempo, os doentes acharam que estavam sendo explorados. Passaram, então, a cobrar uma taxa para servirem às demonstrações. Foi estabelecida a taxa de cinco mil réis e essa quantia era fornecida pelos próprios assistentes.

         Octavio de Carvalho continuou lutando valentemente. Conseguiu mais uma vez convencer o presidente da Caixa Econômica Federal, Dr. Samuel Ribeiro, a fazer empréstimo para a construção do Hospital São Paulo. A faculdade de Pinheiros dava as aulas práticas na Santa Casa. Assim, o Hospital da Escola Paulista de Medicina seria o primeiro hospital construído para o ensino.

Fonte bibliográfica:

Autores indeterminados in Escola Paulista de Medicina – 60 anos de História. Do livro com o mesmo título, 1993. Omni Produções Editoriais. Gráfica Poolprint. 1993, páginas 9-11.