segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Escola Paulista de Medicina - 60 anos - parte 3 - 1993 (2026)

 

Do livro “Escola Paulista de Medicina - 60 anos de História – 1933-1993”

“continuação...”

          No dia 15 de julho de 1933 foram iniciadas as atividades, com um discurso do professor Octavio, já escolhido seu primeiro diretor, e uma aula proferida por Antonio Carlos Pacheco e Silva, que seria encarregado do curso de Psiquiatria. Essa aula inaugural, intitulada “Iniciação Médica” terminou com as seguintes palavras:

“Meus senhores, Chateaubriand disse que para cada um de nós há um momento crítico, bem ou mal escolhido, que decide nosso futuro. Para alunos e professores desta Escola o momento crítico é este em que iniciamos nossos cursos. A época é de incertezas, os homens do mundo inteiro têm o sobrecenho carregado e a fronte vincada pelas apreensões do dia de amanhã. Só há um meio de nos furtarmos à avalanche; é o de nos integrarmos ao nosso trabalho imaginando pertencer àquela raça de que nos fala o filósofo da Escola de Alexandria, que, graças à superioridade de suas forças e à acuidade de sua visão, contemplavam o brilho das regiões superiores, procurando elevar-se acima das nuvens e da obscuridade das coisas terrenas, alegres de residir nos domínios da verdade, como os homens que, após longa viagem, entram numa pátria bem governada”.

          Octavio de Carvalho trabalhou intensamente nos primeiros anos. Além de conseguir reunir o grupo de médicos que seriam os primeiros docentes, começou logo a empregar seu prestígio pessoal para conseguir levar à frente a nova instituição. Procurou um local onde a escola pudesse se instalar definitivamente. Entre vários locais que surgiram, foi escolhida a Chácara Schiffini, situada na rua Botucatu, em Vila Clementino, e pertencente ao Dr. Joaquim Penino, que ali instalara um serviço para atendimento de crianças anormais. Foi comprada com dinheiro fornecido pela Caixa Econômica Federal, dirigida pelo Dr. Samuel Ribeiro.

          A senhora Maria Tereza Nogueira de Azevedo havia conseguido levantar na sociedade paulista uma certa quantia que se destinava à construção de um hospital para crianças, o Hospital Piratininga. Essa importância foi doada à Escola Paulista de Medicina e com ela adaptado um edifício existente na chácara adquirida, que passou a se chamar Pavilhão Maria Tereza, nele instalando-se enfermarias de clínica e cirurgia.

          A primeira turma de alunos estava quase chegando à quarta série, quando deveria ter as primeiras aulas práticas de clínica, na Cadeira de Propedêutica Médica, dirigida pelo professor Jairo Ramos. Octavio de Carvalho procurou o conde Francisco Matarazzo (pai) e conseguiu a permissão para usar um pavilhão do Hospital Humberto Primo. Nesse pavilhão, que era bastante espaçoso, foram instaladas cadeiras e mesas para poderem ser ministradas aulas teóricas e, em outra parte colocada meia dúzia de leitos.

          As aulas práticas eram assim ministradas: os assistentes chegavam antes e iam à enfermaria, onde escolhiam casos que servissem à demonstração, levavam os doentes selecionados para o salão e cada um ocupava um leito. Os alunos eram divididos em grupos semelhantes e eram feitas as demonstrações de exame clínico, assunto da referida cadeira. Há um aspecto pitoresco que merece ser contado. Após algum tempo, os doentes acharam que estavam sendo explorados. Passaram, então, a cobrar uma taxa para servirem às demonstrações. Foi estabelecida a taxa de cinco mil réis e essa quantia era fornecida pelos próprios assistentes.

         Octavio de Carvalho continuou lutando valentemente. Conseguiu mais uma vez convencer o presidente da Caixa Econômica Federal, Dr. Samuel Ribeiro, a fazer empréstimo para a construção do Hospital São Paulo. A faculdade de Pinheiros dava as aulas práticas na Santa Casa. Assim, o Hospital da Escola Paulista de Medicina seria o primeiro hospital construído para o ensino.

Fonte bibliográfica:

Autores indeterminados in Escola Paulista de Medicina – 60 anos de História. Do livro com o mesmo título, 1993. Omni Produções Editoriais. Gráfica Poolprint. 1993, páginas 9-11.

  

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