Do livro “Escola Paulista de Medicina - 60 anos de História –
1933-1993”
“continuação...”
No dia 15 de
julho de 1933 foram iniciadas as atividades, com um discurso do professor
Octavio, já escolhido seu primeiro diretor, e uma aula proferida por Antonio
Carlos Pacheco e Silva, que seria encarregado do curso de Psiquiatria. Essa
aula inaugural, intitulada “Iniciação Médica” terminou com as seguintes
palavras:
“Meus senhores, Chateaubriand disse que para cada um de nós
há um momento crítico, bem ou mal escolhido, que decide nosso futuro. Para
alunos e professores desta Escola o momento crítico é este em que iniciamos
nossos cursos. A época é de incertezas, os homens do mundo inteiro têm o
sobrecenho carregado e a fronte vincada pelas apreensões do dia de amanhã. Só
há um meio de nos furtarmos à avalanche; é o de nos integrarmos ao nosso
trabalho imaginando pertencer àquela raça de que nos fala o filósofo da Escola
de Alexandria, que, graças à superioridade de suas forças e à acuidade de sua
visão, contemplavam o brilho das regiões superiores, procurando elevar-se acima
das nuvens e da obscuridade das coisas terrenas, alegres de residir nos
domínios da verdade, como os homens que, após longa viagem, entram numa pátria
bem governada”.
Octavio de
Carvalho trabalhou intensamente nos primeiros anos. Além de conseguir reunir o grupo
de médicos que seriam os primeiros docentes, começou logo a empregar seu prestígio
pessoal para conseguir levar à frente a nova instituição. Procurou um local
onde a escola pudesse se instalar definitivamente. Entre vários locais que
surgiram, foi escolhida a Chácara Schiffini, situada na rua Botucatu, em Vila
Clementino, e pertencente ao Dr. Joaquim Penino, que ali instalara um serviço
para atendimento de crianças anormais. Foi comprada com dinheiro fornecido pela
Caixa Econômica Federal, dirigida pelo Dr. Samuel Ribeiro.
A senhora
Maria Tereza Nogueira de Azevedo havia conseguido levantar na sociedade
paulista uma certa quantia que se destinava à construção de um hospital para
crianças, o Hospital Piratininga. Essa importância foi doada à Escola Paulista
de Medicina e com ela adaptado um edifício existente na chácara adquirida, que
passou a se chamar Pavilhão Maria Tereza, nele instalando-se enfermarias de
clínica e cirurgia.
A primeira
turma de alunos estava quase chegando à quarta série, quando deveria ter as
primeiras aulas práticas de clínica, na Cadeira de Propedêutica Médica,
dirigida pelo professor Jairo Ramos. Octavio de Carvalho procurou o conde
Francisco Matarazzo (pai) e conseguiu a permissão para usar um pavilhão do
Hospital Humberto Primo. Nesse pavilhão, que era bastante espaçoso, foram
instaladas cadeiras e mesas para poderem ser ministradas aulas teóricas e, em
outra parte colocada meia dúzia de leitos.
As aulas
práticas eram assim ministradas: os assistentes chegavam antes e iam à
enfermaria, onde escolhiam casos que servissem à demonstração, levavam os
doentes selecionados para o salão e cada um ocupava um leito. Os alunos eram divididos
em grupos semelhantes e eram feitas as demonstrações de exame clínico, assunto
da referida cadeira. Há um aspecto pitoresco que merece ser contado. Após algum
tempo, os doentes acharam que estavam sendo explorados. Passaram, então, a
cobrar uma taxa para servirem às demonstrações. Foi estabelecida a taxa de cinco
mil réis e essa quantia era fornecida pelos próprios assistentes.
Octavio de
Carvalho continuou lutando valentemente. Conseguiu mais uma vez convencer o
presidente da Caixa Econômica Federal, Dr. Samuel Ribeiro, a fazer empréstimo
para a construção do Hospital São Paulo. A faculdade de Pinheiros dava as aulas
práticas na Santa Casa. Assim, o Hospital da Escola Paulista de Medicina seria
o primeiro hospital construído para o ensino.
Fonte bibliográfica:
Autores indeterminados in Escola Paulista
de Medicina – 60 anos de História. Do livro com o mesmo título, 1993. Omni
Produções Editoriais. Gráfica Poolprint. 1993, páginas 9-11.
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