quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Primórdios do Hospital São Paulo – Parte 2

 

          Na postagem anterior mencionamos cinco artigos de jornais paulistanos dos anos 1930, que apresentaram várias etapas da elaboração do Hospital São Paulo. A bibliografia mencionada foi utilizada porque esse hospital foi e é o lugar fundamental de estabelecimento da Residência Médica na Escola Paulista de Medicina. Vamos continuar com informes de jornais da época.

          No dia 11 de fevereiro de 1936, o jornal O Estado de São Paulo continuou noticiando a campanha pela construção do Hospital São Paulo.

Pró-Hospital São Paulo

A organização do movimento no interior do Estado

De todos os pontos por onde têm passado as caravanas que estão fazendo a propaganda da construção do Hospital São Paulo, chegam diariamente notícias animadoras sobre o bom acolhimento que lhes têm sido dispensado pelas populações e autoridades das várias cidades e ao mesmo tempo relatando como tem sido organizado o trabalho nesses lugares.

Em Porto Feliz a caravana foi recebida com muita simpatia, tendo o prefeito local demonstrado a maior boa vontade, facilitando todos os seus passos. Ficou encarregado de organizar as comissões o sr. Dr. Antonio Pires de Almeida.

Em Tietê, onde igualmente foi muito bem recebida a caravana, ficou encarregado de constituir as comissões o Dr. Ibrahim C. Madeira, prefeito local. O jornal “O Democrata”, ali publicado, tomou a si a tarefa de fazer a propaganda do movimento.

Já diversas câmaras municipais têm respondido ao apelo que lhes dirigiu o sr. Diretor do Departamento das Municipalidades, corroborado por vários deputados, algumas atendendo de maneira positiva a sugestão de aplicar uma determinada quota do seu orçamento, outras prometendo categoricamente fazê-lo oportunamente. Dessa forma, vai avultando a cada momento o total de contribuições provenientes diretamente das prefeituras, o que faz prever que será considerável o movimento geral que se espera por esse lado.

Amanhã partirão desta capital, em visita a zonas ainda não percorridas, as seguintes caravanas:

Caravana n.1 – chefiada pelo Dr. Edgard Barroso do Amaral, acompanhado dos estudantes Joaquim Pereira de Araujo, Jorge Arida e Salim Arida, em visita a Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Lorena, Cachoeira, Cruzeiro e Queluz.

Caravana n.4 – chefiada pelo Dr. Antonio Prudente, visitando Santo Grande, Assis, Paraguaçu, Presidente Prudente, Santo Anastácio. Estudantes que completarão a caravana: Georges Aric e Carlos Foz.

          Em 14 de fevereiro de 1936, o jornal O Estado de São Paulo, publicou a notícia encabeçada pelo nome da cidade de Rio Claro:

Pró-Hospital São Paulo

Em propaganda do empreendimento em que está empenhada a Escola Paulista de Medicina, a construção do Hospital São Paulo, estiveram na cidade os srs. Dr. André Dreyfus e os acadêmicos Favorino R. Prado Junior e Isaac Ernesto Prujanski.

Em reunião com o sr. Prefeito municipal ao qual expuseram os motivos de sua vinda a Rio Claro, os membros da caravana aqui deixaram já organizadas as seguintes comissões:

Comissão Diretora – Dr. Antonio Carlos Pereira da Costa, presidente de honra; Humberto Cartolano, presidente; Dr. Francisco Penteado Junior, 1º vice-presidente; Dr. Vicente Ferraz Pacheco; Dr. Alfredo Fontes, 1º secretário; Dr. Ruy Ladislau, 2º secretário; Cintra de Pinheiro, 1º tesoureiro; Thomaz Macha, 2º tesoureiro.

Comissão de Honra – Sra. Condessa de Prates, sra. Humberto Cartolano, sra. Dr. Antonio Carlos Pereira da Costa, sra. Dr. Francisco Penteado Junior, sra. Dr. Cintra Leite, sra. Cintra de Pinheiro, sra. Celso do Valle, sra. Dr. Ruy Ladislau; sra. Waldomiro Guerra Correia, senhorita Cecy David e srs. Dr. Júlio Soares Caiuby, monsenhor Francisco Botti, Dr. Raul Cintra Leite, Dr. Nelson da Veiga, professor Valdomiro Guerra, Guilherme Prates, Dr. Eloy Chaves, Dr. Linneu de Paula Machado, Dr. Baeta Neves, Dr. Eduardo Dias Coelho, Dr. Vasco da Silva Mello, Dr. José Marciano, Dr. José A. Lefèvre, Nicolau Scarpa Junior, Francisco Scarpa, Hélio Miranda, Joaquim Alves Penna, João Timoni, Celso do Valle, Oscar Penteado, Dr. Augusto Schmidt Filho, Dr. Flávio Santomauro, Alfredo Minervino, João Leme, Francisco Salomão, Carlos Tolentino Monteiro, Alberico de Barros Fagundes, Ignacio Mesquita Corrêa, Luiz Picolli, Francisco Leal Lucas, Sylvio Schlitler, Armando Hoeffling, Solon Rego Barros, [jornais] “Cidade de Rio Claro” e “Cidade de Rio Claro”[1].

          No dia 16 de fevereiro de 1936, ou seja, dois dias após o artigo anterior, o jornal O Estado de São Paulo publicou outra notícia sobre esse movimento. Após fazer uma introdução similar, o jornal passou a dar novas informações:

Em Capivari – Nesta cidade a caravana chefiada pelo Prof. Dr. José Ignacio Lobo deixou em 8 do corrente o trabalho local completamente organizado, tendo constituído uma comissão diretora, à qual estará afeito o desenvolvimento da campanha naquela localidade. Essa comissão ficou assim composta: Presidente, Dr. André de Toledo Assumpção; vice-presidente, padre João Lopes de Almeida; 1º secretário, Virgílio Duarte; 2º secretário, João Emygidio Capassoli; 1º tesoureiro, José de Souza Campos; 2º tesoureiro, Francisco Antonio Fonseca.

Foi grande o número de pessoas de destaque social que deram a sua pronta adesão ao movimento, formando assim a comissão de honra, que prestigiará a campanha local para a obtenção de donativos. Todas as professoras do grupo escolar local deram igualmente a sua adesão à campanha.

Em Piracicaba – o sr. Dr. Paulo Gorga, tendo como auxiliares os estudantes Alberto de Mello Balthazar e Felício del Nero, deixou nessa cidade uma comissão executiva assim constituída: presidente, Pedro de Camargo; 1º secretário, sr. Dr. Caio Leitão; 2º secretário, Carlos Augusto Filho; 1º tesoureiro, Hildebrando Magalhães; 2º, Mário Brisolla Ferreira.

Os jornais locais, “Jornal de Piracicaba” e “Diário de Piracicaba” abriram suas colunas à propaganda do Hospital São Paulo.

Em São Pedro – a mesma caravana nomeou em São Pedro, a 11 do corrente, uma comissão executiva assim formada: Presidente, Samuel Alves Martins; vice-presidente, Alaudio Ferraz do Amaral; 1º secretário, sr. Dr. Gualberto Vicente de Paulo Guimarães; 2º secretário, Epaminondas Azevedo Aguiar; 1º tesoureiro, Felisberto Bottene; 2º tesoureiro, Geraldo Azevedo[2].

O sr. Auro Soares de Andrade pôs à disposição da campanha as colunas do seu jornal “Nosso Jornal”.    

Fontes bibliográficas:

Neves, AC. – História da Residência Médica na Escola Paulista de Medicina – os primórdios. Editora Companhia Ilimitada, 2016, pp. 76-79.

 

 



[1] Nessa comissão de honra pode ser notado que as mulheres não foram mencionadas pelos seus nomes, mas pelos nomes de seus cônjuges. A primeira mulher mencionada foi chamada pelo seu título social e não pelo seu nome. Portanto, essa era a maneira formal de mencionar essas mulheres, de classe social diferenciada nos anos 1930. Entre outras questões, isso também demonstra a dificuldade das primeiras mulheres que estudaram medicina. Se aí mencionadas elas seriam “sra. Dr”, ou algo equivalente, ou teriam citados os seus próprios nomes? De qualquer forma, as que foram incluídas nesse texto do jornal eram pessoas que estavam engajadas na causa pelo Hospital São Paulo.

[2] Por esses dados pode-se observar o que eram as citadas “comissões”. De modo geral, eram pessoas das localidades mencionadas, médicos ou não médicos, que se envolveram na campanha pela construção do Hospital São Paulo.

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