quinta-feira, 13 de junho de 2024

Biografia de Edgar de Melo Mattos Barrozo do Amaral (1904-1974)


A partir de texto de Wilson da Silva Sasso

 

          Edgar de Melo Mattos Barrozo do Amaral formou-se em 1925 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, tendo se doutorado um ano depois pela mesma faculdade. Em 1931, foi contratado como Assistente de Biologia no Serviço de Febre Amarela da Fundação Rockfeller. De março a dezembro de 1933, fez estágio na Fundação Curie.

          Em 1934, trabalhou com André Dreyfus, como Segundo Assistente da Cátedra de Histologia e Embriologia da Escola Paulista de Medicina. Em maio de 1935, foi nomeado Primeiro Assistente, em substituição a Nelson Planet. Em 1936, foi convidado para o cargo de Assistente de Biologia Geral, da recém-inaugurada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Em 1937, deixou o cargo de Primeiro Assistente para substituir a Dreyfus e ser contratado pela Escola Paulista de Medicina como Professor Catedrático de Histologia e Embriologia, cargo esse que ocupou até 1952. Até essa época, Barrozo do Amaral havia sido o único professor que havia permanecido contratado pelo transcorrer de dezoito anos em uma escola médica brasileira.

          Nesse ano de 1952, o Prof. Barrozo do Amaral afastou-se da Escola Paulista de Medicina a fim de poder colaborar na formação da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, tendo sido o seu primeiro professor de Histologia. Nesse processo de formação da Faculdade, foi realçada a sua participação direta na contratação de cinco professores estrangeiros para as Cadeiras de Anatomia, Histologia, Patologia, Psicologia Médica e Fisiologia, sendo que dois deles, os professores Fritz Koeberle de Patologia e Lucien Lison de Histologia e Histoquímica permaneceram como Professores Titulares na Faculdade.

          Nos dezoito anos em que o Prof. Barrozo do Amaral ocupou a Cátedra de Histologia e Embriologia da Escola Paulista de Medicina, devem ser destacados os doutorados realizados sob sua orientação, dos ex-alunos da EPM José de Paula e Silva, que fez a primeira Tese de Doutorado da EPM, e do Dr. Wilson da Silva Sasso. Ambos eram Assistentes da Histologia no ano de seu afastamento, em 1952.

         Durante o seu período de magistério fez parte das bancas de diversos concursos: 1 - de Nylceo Marques de Castro, para Livre-Docência da EPM, Livre-Docência na Faculdade de Farmácia e Odontologia da USP, e para a Cátedra da EPM; 2 – de Lucien Lison, para a Cátedra da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP; 3 – de Octavio Della Serra, para Livre-Docência e Cátedra na Faculdade de Farmácia e Odontologia da USP; 4 – de Clodoaldo Pavan, para Livre-Docência na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP; 5 – de Fernando Aberceb, para a Livre-Docência na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia; 6 – de Bruno Alípio Lobo, para Livre-Docência na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro; 7 – de Luiz Carlos Uchôa Junqueira, para Livre-Docência e Cátedra da Faculdade de Medicina da USP; 8 – de Eduardo Ozório Cisalpino, para Livre-Docência na Faculdade de Farmácia e Odontologia da UFMG; 9 – de Milton Picosse, para a Livre-Docência na Faculdade de Farmácia e Odontologia da USP; 10 –  de Wilson da Silva Sasso, para a Livre-Docência na Faculdade de Farmácia e Odontologia da USP.

          Em 1939, concomitantemente a seu trabalho na EPM, o Prof. Barrozo do Amaral prestou concurso de Livre-Docência de Histologia na Faculdade de Medicina da então designada Universidade do Brasil.

         Em 1940, o Prof. Barrozo do Amaral prestou concurso para a Cátedra de Histologia e Embriologia da Faculdade de Farmácia e Odontologia da USP. Até se aposentar nessa Faculdade, em 1961, foram seus assistentes: Nylceo Marques de Castro, na Histologia e Embriologia da EPM; Wilson da Silva Sasso no Instituto de Ciências Biomédicas da USP e na EPM; José Merzel, na Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Unicamp; Roberto Domingos Andreucci na Faculdade de Odontologia de São José dos Campos; Eduardo Katchburian, na Faculdade de Medicina da Universidade de Londres.

          Em relação à sua linha de pesquisa, se destacam trabalhos sobre a origem das células intersticiais do ovário e do testículo, que resultaram em suas teses para Livre-Docência e para a Cátedra. A primeira foi defendida na Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil e intitulada “Células do Hilo do Ovário (células de Berger)” e representa a primeira tese brasileira onde foram utilizados métodos histoquímicos. A segunda também fez uso de métodos histoquímicos, intitulada “Contribuição para o estudo da origem e natureza das células de Leydig”.  Esta foi apresentada no Concurso para Cátedra de Histologia e Embriologia da Faculdade de Farmácia e Odontologia da USP.

         O Prof. Barrozo do Amaral colaborou ainda para a instalação da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, onde ocupou o cargo de Diretor por dois anos.

         Conforme informação do Prof. Sasso, o Prof. Barrozo do Amaral tinha espírito inquieto e entusiasta pela docência e pela organização universitária, de modo que sabia guiar e estimular seus alunos no estudo da Histologia.   

 

Fonte Bibliográfica:

Sasso, W. S. Edgard de Melo Mattos Barrozo do Amaral in A Escola Paulista de Medicina – dados comemorativos de seu 40º aniversário (1933-1973) e anotações recentes. José Ribeiro do Valle (org). Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, São Paulo, 1977, pp. 167-170.                                                                                                                                        

      

 

          

 

      

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Origem do Emblema da Escola Paulista de Medicina



Origem do Emblema da Escola Paulista de Medicina

Fonte bibliográfica: 
Borges, Durval Rosa. De Quanto Tal Viagem Pede e Manda. Volume 6 da Série Fragmentos de Memória (1969-1975). Kato Editorial, 2019, p. 158.

 

domingo, 19 de novembro de 2023

Biografia do Prof. Dr. Azarias de Andrade Carvalho




A partir de texto de Mauro Zucato e complementos de outras fontes

 

          Azarias de Andrade Carvalho nasceu em Araraquara, aos 19 de julho de 1915. Fez o curso primário no Colégio Mackenzie de sua cidade natal e o secundário no Ginásio São Luiz de Jaboticabal. Ingressou na Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil em 1933, tendo se diplomado em 1938. Seu interesse pela Pediatria surgiu durante o Curso, de modo que, no sexto ano, estagiou como Acadêmico no Serviço de Pediatria da Policlínica de Botafogo.

          Em maio de 1939 iniciou sua carreira universitária, ingressando como Assistente extranumerário da Cadeira de Clínica Pediátrica Médica e Higiene Infantil da Escola Paulista de Medicina. Demonstrando grande pendor pela carreira universitária, foi logo galgando novos escalões, sendo que, em 1942, passou a terceiro Assistente e, em 1944, a segundo Assistente da referida Clínica, onde permaneceu até dezembro de 1946. Exerceu ainda as funções de Assistente da Clínica Pediátrica da Escola Paulista de Enfermagem, no período de 1940 a 1946, e de Professor de Puericultura da Escola de Serviço Social, funcionando então como Instituto Complementar da Pontifícia Universidade Católica, nos anos de 1945 a 1961. Foi também Professor de Puericultura do Curso de Formação Familiar mantido pelo Centro de Estudos e Ação Social, nos anos de 1944 a 1947 e de Puericultura e Clínica Pediátrica da Escola de Enfermagem “São Francisco de Assis”, reconhecida pelo Governo Federal, até a sua transferência para Sorocaba.

          Deixando a Clínica Pediátrica da Escola Paulista de Medicina em 1947, o Prof. Dr. Azarias entrou na Clínica Pediátrica da Universidade de São Paulo, onde defendeu tese de Livre-Docência em concurso realizado de 19 a 24 de novembro de 1956, tendo obtido o título com distinção.

          A partir de junho de 1958 voltou à Escola Paulista de Medicina na qualidade de Professor Interino de Clínica Pediátrica e Higiene Infantil, tendo permanecido nessas funções até 1964, quando, após brilhante concurso realizado em 1963, passou a Professor Catedrático e, posteriormente, Titular e Chefe do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina. Nesse Departamento, revelou-se emérito professor, demonstrando ainda qualidades de liderança e organização. Reestruturou o Departamento, melhorou consideravelmente o curso de graduação, tornando-o um dos melhores cursos de Pediatria do país e organizou o curso de Residência Médica à altura do que é desenvolvido nas melhores faculdades.

          Mostrou-se grande entusiasta no setor de Pediatria Social, estimulando seu desenvolvimento através de cursos especializados e criação de Serviço de Pediatria Social Rural no Departamento que dirigiu.

          Foi Presidente da Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, de 1967 a 1970. De 1968 a 1970 foi Superintendente do Hospital São Paulo, tendo demonstrado grande pendor para esta função, pois ao fim do seu mandato havia conseguido superar grandes dificuldades enfrentadas pelo Hospital.

          Com grande prestígio junto à classe pediátrica de São Paulo, foi eleito Presidente do Departamento de Pediatria da Associação Paulista de Medicina, em 1951.

          Em 1963, foi eleito Alternate Chairman do XI Distrito (Capítulo Brasileiro) da American Academy of Pediatrics, sendo que, em 1968, passou a Chairman da referida Academia e tornou-se Membro do International Committee of Child Health da AAP.

          Com a finalidade de aprimorar seus conhecimentos, em 1968, esteve por três meses no estrangeiro, tendo frequentado as escolas médicas de Yale, Nova York, Clínica Mayo, Denver, e Oklahoma, nos Estados Unidos e de Cali, na Colômbia.

          Num gesto de reconhecimento pelas suas qualidades humanas e de organização frente ao Departamento de Pediatria, foi diversas vezes homenageado pelos alunos e eleito paraninfo da turma de formandos do ano de 1963.

          Na qualidade de pesquisador, no decorrer da sua vida universitária, publicou diversos trabalhos, tendo conseguido diversos prêmios, entre eles, Nestlé 1953, Margarido Filho 1954, Miguel Couto 1955, Diogo Faria 1955 e, posteriormente, outros próprios ou em colaboração com elementos do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina. Mereceram especial destaque seus trabalhos realizados sobre a etiopatogenia da anemia ancilostomótica na criança.   

          Em 1974, o Dr. Azarias foi o responsável pela criação do setor de Gastroenterologia Pediátrica da EPM. O setor cresceu e, a partir de 1982, deu início à formação de Mestres e Doutores, de modo que, em 1985, foi criada oficialmente a Disciplina de Gastroenterologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da EPM.

          No início da década de 60, ele criou uma área incialmente chamada de Setor de Higiene Mental, no qual procurava-se atender crianças até 12 anos e adolescente grávidas de 10 a 19 anos.

          Em 1993, o Prof. Azarias criou o Centro de Atendimento e de Apoio ao Adolescente (CAAA). Contando com equipe multiprofissional, tal centro, nos seis anos iniciais, contou apenas com o Dr. Azarias, Dr. Antonio da Silva Queiroz e dois estagiários.

          O Prof. Dr. Azarias de Carvalho relatou que não foi fácil reestruturar a Pediatria na EPM. Para a construção do Departamento de Pediatria, foi necessário esclarecer junto à Congregação a importância da atenção à saúde da criança: “Era preciso mostrar que os cuidados eram diferentes, que existem peculiaridades especiais diferentes das do adulto, que devem ser integradas no preparo do médico. Não foi tranquila a luta para reestruturar a Pediatria, em face do destaque que, na época, era dado aos problemas e patologias do adulto, menosprezando as crianças e os jovens, que alguns resumiam, jocosamente, a mamadeira, diarreia e birras. Esqueciam-se, ou não levavam em consideração, que, no Brasil, os menores de 15 anos, os futuros adultos, representavam mais de 45% da população e a mortalidade infantil oscilava entre 100 e 200 casos a cada mil nascidos, chegando, em muitas regiões, a bem mais”, recordava Azarias.

          Como fruto da conscientização progressiva da direção da EPM, houve renovação curricular com aumento substancial da carga horária dedicada ao ensino de Pediatria e oportunidade para melhor aproveitamento dos ensinamentos. Dizia ele: “Assim, o ensino da Pediatria começava na quarta série e o sexto ano transformou-se em Internato”.

          Após reestruturar o Departamento de Pediatria, Azarias criou três disciplinas: Pediatria Clínica, Puericultura-Pediatria Social e Neonatologia. “Um dos ponto difíceis foi a reconquista do direito dos docentes da Pediatria assistirem os recém-nascidos. Por desavenças anteriores, não podiam ingressar no berçário, domínio absoluto da cátedra de Obstetrícia. Com paciência e calma, conseguimos autorização para tal”, disse Azarias.

          A especialidade cresceu e foram implantados Internato, Residência, Mestrado e Doutorado. Ainda, segundo o professor, a pós-graduação em senso estrito em Pediatria foi a segunda ou terceira a ser implantada na área Clínica na EPM e a quarta no Brasil.  

          Seguem ainda aqui duas declarações do Prof. Dr. Azarias de Carvalho:

          Sobre o cargo de Chefe do Departamento: “A Chefia do Departamento deve atuar ativamente nos colegiados da instituição para defender as necessidades de seu Departamento no que se refere à assistência aos doentes, ao ensino e à pesquisa e aos docentes, alunos e funcionários, sabendo compreender e respeitar as possibilidades e dificuldades da instituição como um todo. Foi isso que procurei fazer”.

          E ainda sobre seu trabalho: “Pedi a aposentadoria antes da idade compulsória, que seria em 1982. Voltei, então, a ocupar a posição confortável e gratificante de docente voluntário desta Escola amiga, posição esta que exerci no início de minha carreira universitária e que até hoje exerço com prazer e satisfação”.

          O Prof. Dr. Azarias de Andrade Carvalho teve seis filhos, dois netos e dois bisnetos e faleceu em 17 de maio de 2008, aos 92 anos.

 

Fontes bibliográficas:

Zucato, M. – Azarias de Andrade Carvalho in Valle, J.R. – A Escola Paulista de Medicina – Dados Comemorativos de seu 40º Aniversário (1933-1973) e Anotações Recentes, Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, 1977, pp. 159-161.

Cremesp – Homenagem Azarias de Andrade Carvalho, um dos mais importantes pediatras brasileiros, Edição 214, junho de 2005. Localizável em https://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Jornal&id=529

Folha de São Paulo – Cotidiano – Azarias de Andrade Carvalho (1915-2008) Localizável em https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2905200831.htm

 

        

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Um fundador da Escola Paulista de Medicina na Segunda Guerra Mundial: Prof. Dr. Alípio Correia Neto.


Homenagem da Escola Paulista de Medicina ao Prof. Dr. Alípio Correia Neto, um dos fundadores da EPM, antes de partir para a Segunda Guerra Mundial em torno de 1943/44. 
Ao lado da bandeira, o mais alto em estatura, é o então diretor da EPM, Prof. Dr. Álvaro Guimarâes Filho. Do lado esquerdo do Prof. Alípio está o Prof. Dr. Marcos Lindenberg. 
Ambos os professores também são fundadores da EPM.

Fonte: Acervo Iconográfico do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da EPM-Unifesp. 

 

segunda-feira, 5 de junho de 2023

90 anos da Escola Paulista de Medicina - Famílias Epemistas

 

         É comum designar-se a “Comunidade Epemista” também como uma “Família Epemista”, e isso serve tanto para o sentido simbólico como para o sentido literal do termo, pois diversos foram os familiares que acabaram fazendo parte da Escola Paulista de Medicina (EPM), tanto como estudantes, como professores, médicos e outras categorias profissionais.

         Uma dessas famílias foi a Raposo do Amaral e seus descendentes. Como aqui já foi mencionado o Prof. Dr. José Raposo do Amaral (1923-2006) formou-se na EPM em 1949 (foto 1). Por sua vez, seu sobrinho, Dr. Júlio Raposo do Amaral (1933-2016) formou-se na EPM em 1959 (foto 2), uma turma que depois teve vários professores da Escola, como Benjamin Kopelman, Kalil Farhat, José Kerbauy, Luiz Kulay, Fernando Braga, entre outros.

Fotos 1 e 2

 

        Além disso, a Sra. Consuelo Bordini, cunhada do Prof. José Raposo, foi secretária e técnica de laboratório no Departamento de Patologia, tendo começado seu trabalho na EPM muito jovem, em 1953. Iniciou na Patologia Geral com o Prof. Marcos Lindemberg. Depois trabalhou na Anatomia Patológica com o Prof. Pasqualucci e depois com o Prof. Michalany. Após isso, trabalhou também na Patologia Clínica com o Prof. Sílvio Carvalhal e depois com o Prof. Saad. Em 1990, aposentou-se (foto 3).



         A mesma família Raposo do Amaral tem proximidades com os familiares dos antigos proprietários do terreno em que se instalou a EPM. Eles têm contatos com o Sr. Luiz Antonio Paiga, neto do psiquiatra Dr. Joaquim Basílio Pennino; este, por sua vez, era genro do antigo proprietário da futura área da EPM, Sr. Schiffini.

Dessa forma podemos aqui apresentar a foto do Sr. Luigi Schiffini, proprietário da Chácara Thereza Schiffini, nome de sua filha (esposa do Dr. Pennino), onde depois ficaram as instalações da EPM e do Hospital São Paulo (HSP) (foto 4).

 

 

       Também temos a foto da Residência do Dr. Joaquim B. Pennino, dentro dessa mesma área, que em 1937 foi transformada no Pavilhão Maria Thereza (por doações da Sra. Maria Thereza Azevedo). Tal local foi o primeiro espaço da internação de pacientes da EPM e HSP (foto 5).

 

      Apresentamos, a seguir, a foto do Dr. Joaquim B. Pennino, acompanhado de sua esposa, Sra. Thereza Schiffini Pennino, filha do Sr. Luigi Schiffini (foto 6).

 


 O Dr. Pennino era psiquiatra e desenvolveu terapia baseada em estudos de Carl Gustav Jung. Nessa linha, o estabelecimento que antecedeu a EPM era uma espécie de escola de pessoas “excepcionais”, conforme a terminologia de então, que procurava integrá-los à sociedade. A esposa do Dr. Pennino, Thereza, conhecia a língua alemã e ficava lendo os livros de Jung para seu marido. Segundo informam, existe até uma carta do Dr. Jung dizendo que a terapia do Dr. Pennino estava certa.

         No intuito de integrar os pacientes à sociedade, a Sra. Thereza levava grupos de até oito alunos/pacientes dessa escola ao restaurante Fasano, então no centro da cidade, para tomarem chá.

     Podemos ver abaixo a casa que ficava na esquina da Rua Botucatu com a Pedro de Toledo por outro ângulo em uma foto com o Sr. Luigi Schiffini, sua esposa Antonia Salerno Schiffini e sua filha Thereza (foto 7).

 


 

Conforme informações do Sr. Paiga, bisneto do Sr. Schiffini, todo o quarteirão pertencia à propriedade do Sr. Schiffini e, por sua vez, a instituição era organizada pelo Dr. Pennino. O endereço de então correspondia à Rua Botucatu, número 90, conforme podemos ler na informação do Dr. Octavio de Carvalho em sua História da EPM, à página 7. Esse endereço levou a certa confusão com uma outra instituição, o Colégio Ypiranga, que usava dois endereços, na Rua Domingos de Moraes, nº76 e na Rua Botucatu, 90 (hoje, número 720). Na verdade, conforme o Sr. Paiga, esse duplo endereço pode ter sido usado quando o próprio Sr. Schiffini foi também dono desse referido colégio.

Na foto 8, pode ser observada uma piscina que ficava dentro do quarteirão que era usada para as atividades de apoio e terapêuticas do Dr. Pennino em sua instituição.


Seguindo a tradição da família Amaral, a qual iniciou este texto, Ana Maria do Amaral Antonio, sobrinha-neta do Prof. Dr. José Raposo e sobrinha do Dr. Júlio Raposo, também se formou médica na EPM, em 1986 (turma 49), especializando-se em Patologia, sendo que, posteriormente, cursou a pós-graduação também na EPM-Unifesp (foto 9).

 

Fontes bibliográficas:

Família Amaral. Depoimentos e fotos.

Luiz Antonio Paiga. Depoimentos e fotos.

Carvalho, Octavio. História da Escola Paulista de Medicina – Curriculum Vitae. Editor Borsol, RJ, 1969.

 

sábado, 3 de junho de 2023

90 anos da Escola Paulista de Medicina - Os Fundadores


           Existe certa polêmica a respeito de quantos e quais foram os fundadores da Escola Paulista de Medicina (EPM) em 1933, polêmica essa compreensível, em virtude de que o início e a instalação dessa instituição se deram no calor de acontecimentos vários na sociedade brasileira, bem como mais especificamente na sociedade paulista, tanto a respeito do momento político, quanto da necessidade da criação de mais uma escola médica em São Paulo.

          No livro do Prof. Dr. Durval Rosa Borges, intitulado “De quanto tal viagem pede e manda”, de 2019, às páginas 149 e 151, em trecho sobre a fundação da EPM, ele escreve:

“A ‘semente milagrosa’ foi lançada por 31 médicos com idade variando de 26 a 54 anos (mediana de 34), sete dos quais solteiros na ocasião (1933). Dois engenheiros haviam também subscrito o manifesto publicado a 1º de junho de 1933 (Figura 7.3), mas não assinaram a escritura da fundação e organização outorgada a 26 de junho de 1933. De fato, o parágrafo único do artigo 7º dos Estatutos da Escola Paulista de Medicina (25 de junho de 1933, figuras 7.4 e 7.5) de redação dos outorgantes estabelecia que “para ser sócio fundador ou efetivo, é requisito essencial ser médico legalmente habilitado”. Dos fundadores, vinte eram nascidos em São Paulo (catorze na capital) e onze em outros locais (sete no Rio de Janeiro, dois na Itália). Formaram-se catorze na Faculdade Nacional de Medicina no Rio de Janeiro, doze na Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo e cinco em outras instituições. Dos 31 médicos fundadores (mediana de 34 anos de idade), 25 (mediana de 33 anos de idade) vieram a efetivamente atuar na EPM”.

          Embora haja essa informação de que nem todos os fundadores tivessem atuado efetivamente na EPM, Borges informa que o patrimônio inicial da escola foi constituído por 31 cotas de cinco contos de réis que cada fundador integralizou no período de cinco anos, ou seja, de 1933 a 1937, totalizando a soma de 155 contos de réis.

          Do livro da historiadora Márcia Regina Barros da Silva intitulado “Estratégias da Ciência: A História da Escola Paulista de Medicina (1933-1956)”, publicado em 2003, correspondente à tese de mestrado de semelhante título, defendida no Departamento de História da Universidade de São Paulo,  às páginas 34 e 35, extraímos os nomes dos 31 médicos e 2 engenheiros que subscreveram o Manifesto de Fundação, que foi publicado nos jornais de 1º de junho de 1933, conforme segue abaixo, em ordem pelo ano de formatura (esta contagem dá 15 formados no RJ e 11 em SP, uma diferença de 1 em relação ao Prof. Borges):

 

Nome                                                Formatura                 Faculdade

1 Henrique Rocha Lima                         1901                       FMRJ

2 Álvaro Lemos Torres                          1907                       FMRJ

3 Carlos Fernandes                                1911                       FMRJ

4 João Moreira da Rocha                       1915                       FMRJ

5 Octavio de Carvalho                           1915                       FMRJ

6 Afrânio do Amaral                              1916                       FMBa

7 Archimede Bussaca                            1916            U. de Palermo

8 Domingos Define                               1916                       FMRJ

9 Nicolau Rossetti                                 1917              U. de Nápoles

10 Alípio Corrêa Neto                           1918                       FMSP

11 Antonio Prudente                              1918                      FMSP

12 Paulo Mangabeira Albernaz             1919                       FMBa

13 Antonio Carlos Pacheco e Silva       1920                       FMRJ

14 Antonio Almeida Junior                   1921                       FMSP

15 Olivério Mário de Oliveira Pinto     1921                       FMBa

16 Felício Cintra do Prado                    1922                       FMSP

17 Felipe Figliolini                                1922                       FMRJ

18 Flávio da Fonseca                             1923                      FMRJ

19 Jairo Ramos                                      1923                      FMSP

20 José Medina                                      1923                      FMSP

21 Fausto Guerner                                 1924                      FMRJ

22 José Ignácio Lobo                            1924                      FMSP

23 Marcos Lindenberg                          1924                      FMRJ

24 Pedro de Alcântara                           1924                      FMSP

25 Álvaro Guimarães Filho                  1925                      FMSP

26 Antonio Bernardes de Oliveira        1925                      FMSP

27 Décio de Queiroz Telles                   1925                     FMRJ

28 José Maria de Freitas                       1927                      FMSP

29 Rodolpho de Freitas                         1927                     FMRJ

30 Otto Bier                                          1928                     FMRJ

31 Dorival Macedo Cardoso                1930                      FMRJ

 

Dois Engenheiros que assinaram o manifesto:

Eduardo Ribeiro da Costa   1916      Escola de Minas de Ouro Preto

Luiz Cintra do Prado           1927      Escola Politécnica de S.P.


Fontes bibliográficas:

Borges, Durval Rosa. De Quanto Tal Viagem Pede e Manda. Volume 6 de Fragmentos de Memória (1969-1975). Kato Editorial, 2019.

Silva, Márcia Regina Barros. Estratégias da Ciência: A História da Escola Paulista de Medicina (1933-1956). Série Ciência, Saúde e Educação. CDAPH. Editora Universitária São Francisco, 2003.

 

 

 

 

segunda-feira, 1 de maio de 2023

Turma de 1949 da Escola Paulista de Medicina, com alguns destaques.




Turma formada em 1949 na Escola Paulista de Medicina em foto enviada por familiares do Prof. Dr. José Raposo do Amaral, da Gastrocirurgia. 
A primeira foto foi feita no antigo pátio da Escola Paulista de Medicina, onde depois foi construido o prédio que abriga o Banco do Brasil e o Refeitório.
A segunda foto é um destaque da primeira onde observam-se da direita para a esquerda os professores: Nylceo Marques de Castro; um desconhecido; Marcos Lindemberg; João Moreira da Rocha; José Maria de Freitas; um desconhecido (prof. Antonio Gebara?).
A terceira foto apresenta o Prof. Dr. José Raposo do Amaral, que é o primeiro em pé à esquerda na primeira foto.